Epidemia de febre tifóide multirresistente atinge a África e a Ásia.

A febre tifóide é uma doença causada pela bactéria Salmonella entérica sorotipo Typhi. Os sintomas mais comuns dessa doença são: mal estar geral, febre alta, falta de apetite, tosse seca, diarreia ou prisão de ventre, dores de cabeça, retardamento do ritmo do coração, aumento do volume do baço e manchas rosadas sobre a pele na região do tronco.

Ilustração da bactéria "Salmonella typhi". Fonte: http://salmonellatyphi.org.
Ilustração da bactéria Salmonella typhi. Fonte:  SalmonellaTyphi.org

A transmissão da febre tifóide se dá pela via fecal-oral. Quando entram em nosso organismo, as bactérias que não são destruídas pelo suco gástrico no estômago, atravessam a parede do intestino delgado e caem na corrente sanguínea, sendo esta a fase onde surgem os primeiros sintomas. A Salmonella typhi pode multiplicar-se no interior das células de defesa (os leucócitos), e é desta forma que a infecção se dissemina pelo organismo. Os órgãos mais afetados costumam ser o fígado, o baço, a vesícula, a medula óssea e todo o intestino.

Um grande estudo de dados dos genomas de Salmonella typhi, mostra que a África e a Ásia estão enfrentando uma epidemia de febre tifóide multi-resistente. Segundo os pesquisadores, um clone da bactéria que é frequentemente resistente a multidrogas, chamado H58, está andando por toda a Ásia e África. A sua propagação é susceptível a aumentar o custo dos tratamentos e levar a mais complicações, eles advertem.

 “Há um senso de urgência agora”, diz Gordon Dougan, geneticista do Instituto Wellcome Trust Sanger em Hinxton, Reino Unido, e um dos autores do artigo.

Os primeiros casos de Salmonella enterica Typhi que são resistentes a múltiplos antibióticos, apareceu pela primeira vez na década de 1970. Mas o H58 tem particularmente preocupado os cientistas, porque ele está aparecendo em muitos países. Para obter uma visão geral de sua propagação, os cientistas analisaram os genomas de 1.832 amostras de 21 países na Ásia, África e Oceania. O clone provavelmente surgiu no sul da Ásia por volta de 1985 e, em seguida, adquiriu genes de resistência nos anos seguintes, antes de se espalhar para o Sudeste da Ásia e na África, diz Dougan.

Na África, o clone foi provavelmente introduzido várias vezes para o Quênia e de lá, vem se espalhando para o sul, conforme os autores relatam na revista Nature Genetics. Em um artigo publicado no mês passado na PLOS Neglected Tropical Diseases (em tradução literal: “Doenças Tropicais Negligenciadas”), Dougan e outros cientistas acompanharam o surgimento do H58 em um hospital de Malawi (país da África Oriental). De 1998 a 2010, havia, em média, 14 diagnósticos de febre tifóide por ano nesse hospital. Aproximadamente 7% das bactérias isoladas eram resistentes a múltiplas drogas. Em 2014 houve 782 diagnósticos, sendo 97% deles com resistência a múltiplas drogas. “Assim que esta [cepa de bactérias resistentes] chega em seu país, você tem que recorrer a antimicrobianos mais caros”, diz Dougan.

Não está claro porque o H58 é tão bem sucedido. Uma possível explicação: ele pode ter mutado para melhor sobreviver no tecido dos transportadores que espalham a doença sem ficar doente. Há algumas alterações genéticas em H58 que podem apontar para isso, diz Dougan. “Mas isso é especulação”, ele adverte. O porquê de certos clones bacterianos tornarem-se dominantes ainda é um mistério, diz Mark Achtman, um microbiologista da Universidade de Warwick, no Reino Unido. “É um fenômeno que vemos repetidas vezes em diferentes bactérias e nunca foi compreendido.”

O artigo é uma das maiores amostras do genoma bacteriano que alguém já publicou, diz Achtman. “Muito já se sabe sobre o H58 se espalhando”, diz ele, “mas esta é a primeira vez que tivemos uma visão geral tão exaustiva de Salmonella typhi e o grupo H58 com typhi“. Dougan disse que ele e seus colegas estão sequenciando muito mais amostras de isolados com febre tifóide para definir as origens do H58.

Fonte: ScienceTodaBiologia.com, Dr. Dráuzio Varella.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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