Cérebros biônicos estão se aproximando.

Uma célula de memória eletrônica foi criada, imitando o cérebro humano. Os cientistas construíram uma célula de memória pequena que pode armazenar e processar informações ao mesmo tempo, assim como o cérebro humano. Esta é uma das primeiras células de memória eletrônicas, representando um passo crucial para a construção de um cérebro biônico.

“Cérebro biônico”. Fonte: cybrrain/Shutterstock.com
“Cérebro biônico”. Fonte: Shutterstock.com

Esta nova célula – que é 10 mil vezes mais fina que um fio de cabelo humano – abre o potencial de armazenar e processar mais dados do que nunca. Os cientistas estão ainda mais animados com o fato de que ela tem as habilidades dos “resistores de memória”. Isso significa que ela é capaz de reter, lembrar e ser influenciada por informações que foram previamente armazenadas nela – algo que os nossos dispositivos de armazenamento atuais não são capazes de fazer.

Este é o mais próximo que temos da criação de um sistema como o cérebro, com a memória que aprende e armazena informações analógicas e é rápido para recuperar esta informação armazenada. O líder do projeto, Sharath Sriram, da Universidade RMIT (oficialmente, Instituto Real de Tecnologia de Melbourne), na Austrália, disse em um comunicado de imprensa que “o cérebro humano é um computador analógico extremamente complexo, sua evolução é baseada em suas experiências anteriores, e até agora essa funcionalidade não tem sido capaz de ser adequadamente reproduzida com a tecnologia digital”.

As novas habilidades da célula adicionam uma outra dimensão além da habilidade de liga/desliga das células de memória, que atualmente são usadas para armazenar os nossos dados em dispositivos convencionais, como pen-drives, que só são capazes de armazenar um dígito binário (um 0 ou um 1) de cada vez.

O armazenamento digital convencional, assim como um pen-drive USB, grava os dados em uma sequência binária de zeros e uns. A nano célula de memória pode armazenar informações em vários estados, porque é analógica. Fonte: http://mashable.com/2015/05/12/nano-memory-bionic-brain/.
O armazenamento digital convencional, assim como um pen-drive USB, grava os dados em uma sequência binária de zeros e uns. A nano célula de memória pode armazenar informações em vários estados, porque é analógica. Fonte: Mashable.com

Em publicação na revista Advanced Functional Materials (em tradução literal, “Materiais Funcionais Avançados”), os investigadores explicam que as células são feitas de um material de óxido funcional sob a forma de uma película ultrafina. A equipe criou o material no ano passado, e demonstrou que era altamente estável e confiável. Mas eles agora introduziram com sucesso defeitos controlados na película, que permitem que a célula possa ser influenciada por eventos prévios.

“Verificou-se agora que os defeitos controlados introduzidos ou defeitos no material de óxido juntamente com a adição de átomos metálicos, irá desencadear todo o potencial do efeito ‘resistores de memória’ – em que o comportamento do elemento de memória é dependente das suas experiências anteriores,” explicou o pesquisador Hussein Nili.

Tudo isso significa que essas células poderiam ser usadas um dia para construir um sistema artificial que imita as habilidades extraordinárias do cérebro humano, que é extremamente rápido, requer muito pouca entrada de energia e tem capacidade de armazenamento de memória quase ilimitada. Embora os benefícios para a inteligência artificial e computacional sejam óbvios, um “cérebro biônico” poderia também ajudar muito na saúde humana, permitindo aos pesquisadores criar e estudar doenças fora do corpo, como Alzheimer e Parkinson.

“Em relação a essas doenças, há dois problemas: é muito difícil ver o que está acontecendo dentro de um cérebro vivo, e há o aspecto ético – você não pode fazer experimentos com seres vivos sem repercussões”, disse Nili. “Se você pode ter um cérebro biônico e replicar esses tipos de cérebros, ele vai fazer com que a pesquisa se torne muito mais fácil e acessível.”

Estamos muito animados para ver o que essas pequenas células podem fazer!

Fonte: Science Alert.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF – Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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