Conheça o homem cujo sangue pode trazer o segredo para a cura do HIV.

Kai Brothers viveu com o HIV nos últimos 30 anos, tendo contraído a doença aos 19 anos de idade, em San Francisco, nos Estados Unidos. Ao ir no banco de sangue, foi pedido para que fizesse os exames de triagem, mas ele não sabia que estava doente, muito menos que ele era soro positivo, pois, por incrível que pareça, ele nunca desenvolveu nenhum sintoma. Kai se lembra: “Estou desafiando as probabilidades aqui. Deve haver algo de meu corpo é capaz de fazer isso e manter-me saudável”.

Por sugestão de seu amigo, em 1999, Brothers foi levado para ser visto pelo principal pesquisador da AIDS, Jay Levy, da Universidade da Califórnia, que tinha descoberto o vírus HIV em 1983. Acontece que o corpo de Brothers foi realmente capaz de manter o vírus sob controle, especificamente, os seus glóbulos brancos do sangue. Eles secretaram uma proteína não identificada, que de algum modo, controla os aspectos mais prejudiciais do vírus.

Levy suspeita que, se for capaz de reproduzir os efeitos desta proteína, poderia revolucionar o tratamento do HIV. “Sabemos o que a proteína faz: ela bloqueia a replicação do vírus,” disse Levy à Nautilus Magazine. “Ela mantém o vírus em um estado de silêncio, em algumas pessoas para sempre. Eventualmente, as células infectadas irão morrer. Então, você poderia imaginar que, se você pudesse manter o vírus sob controle durante 20, 30 anos, você poderia ter uma cura espontânea”.

Atualmente, depois de 26 anos desde o diagnóstico – a saúde de Brothers está se tornando incerta, com baixas contagens de glóbulos brancos e uma elevada quantidade do vírus HIV presente em sua amostra de sangue. Ele tem que decidir entre tomar medicamentos anti-retrovirais, que vai impedi-lo de produzir esta proteína especial, ou continuar como estava, na esperança de que tudo o que o mantinha vivo durante tantos anos vai continuar a fazê-lo.

Imagem de Kai Brothers, paciente que tem o vírus HIV a 30 anos. Fonte: ScienceAlert.
Imagem de Kai Brothers, paciente que tem o vírus HIV a 30 anos. Fonte: ScienceAlert.

O problema é que, apesar de olhar para essa substância por 30 anos, os cientistas não chegaram a uma resposta clara para o que essa proteína pode ser. O HIV age infiltrando no DNA da célula e então, quando a célula se replica, os genes do vírus estarão dentro da nova célula. Mas, curiosamente, se a célula é uma célula imune conhecida como dendrítica, e contém uma proteína chamada SAMHD1, a célula não irá replicar com o vírus HIV.

Nathaniel Landau, um microbiologista da Universidade de Nova York, nos EUA, disse que isso ocorre por meio de um processo conhecido como depleção do pool de nucleotídeos: “a SAMHD1 priva essencialmente o vírus. Ela só protege em um caso específico, células do sistema imunológico infectadas com HIV. O HIV ainda pode se replicar em outras células, e outros vírus relacionados com o HIV, tais como o HIV-2 e SIV, desenvolveram uma proteína denominada proteína X viral (VPX) que ataca diretamente SAMHD1.

Segundo Levy, com medicamentos anti-retrovirais cada vez mais avançados, muitos dos seus doadores de sangue estão abandonando o barco. Logo pode não haver qualquer “sobreviventes a longo prazo” para ajudá-lo a estudar essa proteína, diz ele. E, tal como um vírus evolui, o mesmo acontece com o sistema imunológico humano. Sem tratamento, os nossos corpos podem evoluir de uma forma para combater a doença, mas com a proliferação de medicamentos para o HIV, isso não será possível.

De qualquer maneira, ele está deixando Brothers em um dilema, como disse ao Nautilus Magazine: “Eu não me sinto como se eu tivesse dado tudo o que posso e eu quero estar lá quando eles encontrarem algo e aproveitá-lo para outras pessoas”.

Fonte: ScienceAlert

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e atualmente mestrando em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e atualmente mestrando em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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