Nova droga bloqueadora de proteína poderia pausar a perda de memória relacionada com a idade

Uma proteína sanguínea que aumenta em abundância com a idade tem sido associada ao declínio cognitivo e a perda de memória. Os pesquisadores suspeitam que ao bloquear a sua atividade, poderiam interromper o tipo de degeneração mental que conduz à demência.

A proteína em questão é conhecida como beta-2 microglobulina (B2M), que tem como função primária identificar células estranhas potencialmente perigosas no sangue e sinalizar ao sistema imune para atacar. Mas estudos recentes descobriram que as proteínas B2M no cérebro atuam de uma forma um pouco diferente – elas realmente podem influenciar a forma como o cérebro se desenvolve, como a comunicação das células nervosas é formada e, possivelmente, até mesmo o comportamento. Agora, pesquisadores nos EUA descobriram que, bloqueando a atividade B2M em camundongos velhos, eles poderiam restaurar sua função de memória e a capacidade de aprendizagem.

Image: whitehoune/Shutterstock.com
Neurônios. Imagem: Shutterstock

A equipe, da Universidade da Califórnia, San Francisco (UCSF), e da Escola de Medicina da Universidade de Stanford, decidiram acompanhar os resultados de um estudo separado conduzido em Stanford no ano de 2014, em que camundongos velhos receberam o sangue de camundongos novos e mostraram sinais de melhoria da capacidade de aprendizagem. Outras investigações revelaram que, antes de receber o sangue jovem, estes camundongos velhos tiveram “fatores pró-envelhecimento” em seu sangue que bloquearam o processo de neurogênese, o que facilita a função da memória.

A ideia foi investigar esses “fatores pró-envelhecimento”, e descobrir se eles poderiam ser bloqueados ou revertidos, para parar o declínio mental relacionado a idade. Saul A. Villeda, da UCSF, e seus colegas, focaram na B2M porque uma série de estudos no passado tem ligado níveis elevados da proteína com a disfunção cognitiva na doença de Alzheimer, a demência associada ao HIV, e os casos graves de doença renal. Também tem sido confirmado que os níveis de B2M aumentam com a idade, tanto no sangue e no cérebro de camundongos e dos seres humanos.

Uma ressonância magnética de um cérebro humano. Os cientistas descobriram que a proteína de B2M acumula-se no sangue e no cérebro com a idade, causando comprometimento da memória. Fotografia: Daisy-Daisy / Alamy. Fonte: http://www.theguardian.com/science/2015/jul/06/memory-loss-in-old-age-breakthrough-offers-dementia-hope-say-researchers
Uma ressonância magnética de um cérebro humano. Os cientistas descobriram que a proteína de B2M acumula-se no sangue e no cérebro com a idade, causando comprometimento da memória. Fotografia: Daisy-Daisy / Alamy. Fonte: The Guardian.

Para testar o seu efeito, eles primeiro injetaram B2M no sangue e no cérebro de camundongos jovens e saudáveis, mimetizando de forma eficaz os níveis da proteína visto naturalmente em camundongos velhos. Os camundongos jovens foram então submetidos a testes de habilidade cognitiva e de memória, como nadar em um complexo labirinto de água (water maze). A equipe verificou que os níveis aumentados de B2M afetaram significativamente a capacidade dos camundongos jovens para resolver o labirinto, particularmente, quando foi injetada diretamente no sistema circulatório do cérebro. O processo da neurogênese também foi suprimido nestes camundongos.

Em seguida, a equipe trabalhou com camundongos que tinham sido geneticamente modificados para bloquear a atividade da BSM, tanto no sangue quanto no sistema circulatório do cérebro. Eles descobriram que quando estes camundongos receberam as injeções de B2M e foram postos à prova, não houve efeito negativo em suas funções cognitivas ou memória, ou neurogênese. E camundongos criados sem B2M, na verdade, tiveram um desempenho melhor nos testes com o grupo controle de jovens, camundongos saudáveis ​, e não mostrou sinais de declínio mental na velhice. “Quando olhamos para os animais mais velhos, eles eram muito mais inteligentes. Eles não desenvolveram o mesmo tipo de deficiências de memória. Fiquei realmente surpreso”, disse Villeda para o jornal  “The Guardian“.

Relatando os resultados na Nature Medicine, Villeda e seus colegas disseram que o efeito do aumento de B2M poderia até mesmo ser revertido, o que é uma grande notícia para a perspectiva de desenvolver, no futuro, algum tipo de droga de combate ao envelhecimento. Trinta dias após os camundongos terem recebido as injeções de B2M e terem se saído mal nos testes cognitivos, eles voltaram a executar o teste tão bem como o grupo controle.

O próximo passo aqui é descobrir se há outros fatores envolvidos no declínio cognitivo relacionado com a idade que podem afetar o sucesso de drogas de bloqueio de B2M, e se o efeito do aumento dos níveis de B2M é tão marcante em seres humanos como parece ser em camundongos.

Fonte: ScienceAlert.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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