Estudo mostra que bactérias resistentes a antibióticos sobrevivem mais facilmente nos hospedeiros

Resistência aos medicamentos dá “super poderes às bactérias”, tornando-as mais fortes e potencialmente mais mortais.

Até pouco tempo atrás, pensava-se que as bactérias resistentes cresciam mais lentamente do que o habitual, levando à crença de que genes de resistência interferiam em outros processos essenciais. Em outras palavras, a resistência aos medicamentos viria com um custo para a bactéria.

Cepa droga-resistente de Pseudomonas aeruginosa. Fonte: New scientist.
Cepa droga-resistente de Pseudomonas aeruginosa. Fonte: New scientist.

Atualmente, tem se descoberto o contrário. Junto com seus colegas, David Skurnik da Harvard Medical School, em Boston, Massachusetts – EUA, expuseram camundongos  a várias cepas de Pseudomonas aeruginosa, uma bactéria que causa uma série de infecções, particularmente em pessoas com sistema imunológico comprometido. Algumas das cepas continham genes mutados que as tornaram resistentes a certos antibióticos. Estas cepas se saíram melhores do que as cepas não resistentes para colonizar e sobreviver nos pulmões de camundongos infectados.

Da mesma forma, cepas resistentes da bactéria que causa a cólera (a Vibrio cholerae) e a Acinetobacter baumannii, um patógeno chave de infecções hospitalares, foram mais bem sucedidos causando infecção em camundongos e coelhos do que suas contrapartes não-resistentes.

O trabalho aumenta o número de evidências que desafiam a idéia comum de que a aquisição de resistência tem um custo, diz José Luis Martínez do Spanish National Biotechnology Centre, em Madrid.

A maioria dos esforços para combater a resistência aos antibióticos até agora tem focado na prevenção do uso prolongado de antibióticos. Parte da razão é que, teoricamente, se nós minimizarmos a utilização destas drogas, ela poderia dar oportunidade a bactérias não-resistentes para superar as cepas resistentes aos medicamentos supostamente mais fracos.

Mas Skurnik adverte que isso é improvável que seja verdade em todos os casos: “Uma vez que elas adquiram resistência aos antibióticos, algumas bactérias estarão mais aptas”, diz ele. “Em muitos casos, parar o excesso de prescrição não será o caminho mais fácil.”

Além disso, devemos nos concentrar no desenvolvimento de novas abordagens para combater a resistência, em vez de drogas que simplesmente matam as bactérias, diz ele. Exemplos são as terapias que utilizam o poder do sistema imunológico para combater infecções, tais como anticorpos e vacinas.

Fonte: New scientist.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e atualmente mestrando em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e atualmente mestrando em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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