Tratamento químico transforma células da pele em neurônios

Duas equipes de pesquisadores encontraram diferentes maneiras de realizar a mesma troca de identidade biológica: transformando células da pele em neurônios. Ambas as abordagens, que envolvem apenas a adição de algumas substâncias químicas para as células, podem levar a novas formas de tratar doenças, utilizando as células do próprio corpo do paciente.

A maioria das formas dos cientistas transformaram um tipo de célula em outra, ou em células tronco mais básicas, dependem da adição de genes nas células originais. Mas esta abordagem de inserção de genes tem desvantagens. Suas medidas complexas são demoradas e há sempre uma chance de o gene adicionado poder parar em algum lugar em um cromossomo que ativa um gene causador de câncer.

As novas abordagens – publicadas on-line na revista Cell Stem Cell – tomam uma rota menos invasiva. O segredo, explica Gang Pei, um bioquímico do Instituto Shanghai de Ciências Biológicas na China, e co-autor de um dos estudos, são pequenas moléculas químicas que podem deslizar para o interior da célula, dentro do DNA contido no núcleo, e alterar a atividade de um gene. Pei e sua equipe examinaram milhares de substâncias químicas para identificar aquelas que poderiam converter um tipo de célula em outra e encontrou uma fórmula específica de moléculas que essencialmente desligavam genes de células de pele humana e ligavam genes neuronais. Quando o grupo adicionou sete pequenas moléculas denominadas VCRFSGY (iniciais de ácido valpróico, CHIR99021, Repsox, Forscolina, SP600125, GO6983, e Y-27632), para uma placa de petri contendo células de pele humana, estas se transformaram em neurônios maduros e funcionais ao longo de algumas semanas.

O VCRFSGY funciona em fases. Os quatro produtos químicos iniciais, VCRF, começam mudando características físicas, agindo em um gene chamado TuJ1, que é especificamente ativo nos neurônios. O resto das substâncias químicas – SGY – completam a conversão, amplificando o desenvolvimento neuronal iniciado por VCRF. Não só as células resultantes se parecem com neurônios, mas elas também agem como neurônios. Eles foram capazes de disparar potenciais de ação, um componente chave que fundamenta as noções básicas de comunicação dos neurônios, relata a equipe.

No segundo estudo, outro grupo de pesquisadores com base na China realizaram a mesma tarefa em células de camundongo, usando um coquetel químico diferente. O fato de que duas combinações químicas diferentes são capazes de transformar células da pele em neurônios sugere que esta técnica pode competir com inserções de genes de reprogramação celular, diz Hongkui Deng, co-autor do estudo com células de camundongos, e biólogo celular da Universidade de Pequim.

Os biólogos moleculares e celulares dizem que a técnica pode ter um papel importante na medicina personalizada, especificamente no uso de células do próprio paciente para desenvolver terapias para a doença ou até mesmo para fornecer uma fonte de células transplantáveis ​​para tratamento. Na verdade, a equipe de Pei mostrou que células da pele de um paciente com Alzheimer poderiam ser persuadidas em neurônios que expressam vários marcadores indicadores de doença de Alzheimer. Estes resultados estabelecem as bases para futuras pesquisas de Alzheimer, dando aos cientistas uma plataforma segura e precisa para testar os efeitos de possíveis novas drogas, diz Pei.

Fonte: ScienceMag

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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