Vida selvagem africana abriga resistência aos antibióticos de primeira linha

O surgimento de microrganismos resistentes a drogas – como na tuberculose e Staphylococcus aureus resistentes a meticilina – é uma ameaça crescente para a saúde pública mundial.

Embora muitos estudos tem relatado bactérias resistentes aos antibióticos em animais selvagens, como estes microrganismos surgem – e se eles podem ser transmitidos aos seres humanos – é pouco compreendido.

A resistência aos antibióticos em animais selvagens pode se desenvolver por conta própria, mas também pode ser acelerado pela exposição a dejetos humanos ou ao escoamento agrícola com traços de antibióticos.

Um novo estudo descobriu uma grande variedade de animais selvagens africanos que abrigam microrganismos resistentes a antibióticos que são semelhantes aos encontrados em seres humanos vivendo em aldeias vizinhas.

Em 2011, pesquisadores coletaram 150 amostras fecais de 18 espécies da vida selvagem e 200 amostras de seres humanos no norte do Botswana e testaram para cepas de Escherichia coli resistentes aos antibióticos.

Eles mediram a resistência contra 10 antibióticos de primeira linha amplamente utilizados, incluindo aqueles usados ​​para prevenir e tratar doenças como a malária e a tuberculose. A equipe descobriu que mais de 40% dos animais selvagens – que incluiu leopardos, elefantes, e crocodilos – e 90% dos seres humanos abrigavam E. coli resistentes a pelo menos um antibiótico. Isto foi relatado neste mês no Journal of Wildlife Diseases.

Além disso, mais de 10% dos animais e 70% dos seres humanos eram resistentes a três ou mais antibióticos de primeira linha. E. coli isoladas de humanos e animais selvagens também tinham níveis semelhantes de resistência aos mesmos antibióticos, como ampicilina, doxiciclina, estreptomicina, tetraciclina, e trimetoprim/sulfametoxazol.

A multirresistência foi mais comum em animais aquáticos e também nos animais que vivem nos arredores das aldeias. Os pesquisadores ainda não podem dizer com certeza qual é a relação entre a resistência humana e animal, mas neste caso, eles suspeitam que seja uma conexão aquática.

Fonte: Sciencemag.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e atualmente mestrando em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e atualmente mestrando em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

%d blogueiros gostam disto: