Homem vacinado excreta poliovírus vivos por quase 3 décadas

Um homem britânico tem excretado poliovírus vivos por cerca de 28 anos.

Uma deficiência imunológica permitiu que o vírus enfraquecido das vacinas de pólio oral se replicassem e mudassem dentro do corpo do homem. Este caso não é único, mas é o exemplo mais duradouro do poliovírus derivado da vacina já registrado,  de acordo com os investigadores que relataram o caso na revista PLOS Pathogens no dia 27 de agosto.

O estudo revela que não um há limite de quanto tempo o vírus da pólio pode circular no sistema de uma pessoa que não produz o número suficiente de anticorpos específicos, diz o virologista Olen Kew dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças em Atlanta. “Este é o detentor do recorde mundial – todo mundo concorda”, diz ele.

O vírus mudou dentro do corpo do homem, evoluindo em versões ligeiramente diferentes da cepa da vacina original, como mostram os pesquisadores. Várias cepas do vírus continham alterações na superfície das regiões que as proteínas do sistema imunológico humano atacam. O estudo descobriu que as vacinas existentes ainda protegem contra o vírus isolado mais alterado, mas é importante acompanhar tais mudanças, diz o co-autor de estudo Javier Martin, virologista do National Institute for Biological Standards and Control em Potters Bar, na Inglaterra.

Em países onde a maioria das pessoas são vacinadas contra a pólio, uma pessoa excretando vírus vivos representa pouco perigo, dizem Kew e Martin. “Nós não vimos qualquer evidência de uma ‘fuga’ desses vírus em uma população imunizada”, diz Kew. Nos países em desenvolvimento com cobertura vacinal inferior, tais pacientes imuno-deficientes não são susceptíveis de sobreviver o tempo suficiente para espalhar a poliomielite, disse Cara Burns, virologista do Centro de Controle de Doenças.

Casos de excreção crônica do poliovírus são raros. Mas vírus semelhantemente alterados apareceram no esgoto em Israel, Finlândia, Eslováquia e Estônia, indicando que pessoas não identificadas podem estar excretando pólio nesses países, dizem os pesquisadores.

A pólio pode causar febre, dor, vômito e, em casos raros, paralisia permanente. O homem no estudo possuí proteínas imunológicas que ajudam a combater o vírus do qual ele é portador, de acordo com Martin. Mas essas pessoas ainda estão em risco de desenvolver a poliomielite paralisante, Burns acrescenta. Os pesquisadores estão trabalhando para encontrar drogas para eliminar a pólio do organismo dessas pessoas, diz ela.

A pólio foi praticamente eliminada na natureza, com relatos de casos restantes apenas no Paquistão e no Afeganistão. Kew e Martin dizem que os pesquisadores esperam que o vírus seja completamente erradicado dentro de dois anos.

Fonte: Science News.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

%d blogueiros gostam disto: