Componente químico do vinho e do chocolate pode evitar a doença de Alzheimer

Um estudo sugere que um elemento químico presente no vinho e no chocolate amargo pode diminuir a velocidade com que a doença de Alzheimer avança.

O elemento químico em questão é o resveratrol. Como dito, ele é encontrado nas uvas, no vinho tinto e no chocolate meio-amargo e têm sido objeto de estudo de várias pesquisas, que apontam seu potencial benéfico sobre várias doenças relacionadas à idade, como câncer, diabetes e problemas neurológicos, porém a maioria dos dados vem apenas de estudos em laboratórios e pesquisas com animais. Apenas alguns poucos trabalhos têm sido feitos em humanos.

Acredita-se que o resveratrol atue através da ativação de um grupo de enzimas denominadas sirtuínas, que parecem agir sobre a expressão de certos genes e na proteção contra os efeitos do estresse. Quando os níveis de sirtuínas está elevado, têm se observado maior longevidade em testes com animais de laboratório. Entretanto, para que estes níveis aumentem, os animais são submetidos a uma dieta extremamente restrita de calorias.

Uva
Cheias de resveratrol !   (Fonte: Imagem da internet)

O que é esperado, é que o resveratrol possa ativar as sirtuínas e obter os mesmos benefícios – como prevenir o aparecimento de doenças relacionadas com a idade, como o Alzheimer -, mas sem que o indivíduo tenha que se submeter a uma dieta pobre em calorias.

Um estudo recente, conduzido pelo neurologista Scott Turner, professor no Georgetown University Medical Centre, em Washington DC, acompanhou durante um ano um grupo de 119 pessoas que apresentavam sintomas moderados de Alzheimer, aonde parte do grupo recebeu doses de resveratrol sintético em pílulas, enquanto outra parte do grupo recebeu placebo.

No decorrer desse um ano, o grupo de pacientes tratados com placebo apresentou sinais típicos do progresso da doença de Alzheimer, como a diminuição do nível da proteína beta-amiloide no seu sangue – o que indica que este composto estava sendo retirado do sangue e depositado no cérebro. Os pacientes tratados com resveratrol, no entanto, apresentaram pouca ou nenhuma alteração nos seus níveis de proteína beta-amiloide.

Entretanto, o objetivo principal deste estudo era avaliar a segurança da administração do resveratrol, e não avaliar se ele realmente trouxe melhoras na função cerebral. Mas Turner afirma que foi observada uma ligeira melhoria na função cognitiva, apesar dela não ter sido estatisticamente significativa, o que poderia ser demonstrado de forma mais expressiva através de um estudo maior.

Portanto, muitos estudos ainda precisam ser feitos, mas o resveratrol tem se mostrado um bom candidato para o tratamento de Alzheimer.

E se você está se perguntando se deve começar a tomar mais vinho e comer mais chocolate, pra obter sua dose diária do (possivelmente) benéfico resveratrol, saiba que a quantidade encontrada neste alimentos é muito menor do que a usada nos estudos. Então, eu lamento informar, nem adianta usar como desculpa.

Fonte: New Scientist.

Igor Cunha

Biomédico, formado pela Faculdade do Espírito Santo - UNES, Mestre em Biociências e Biotecnologia na UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

Igor Cunha

Biomédico, formado pela Faculdade do Espírito Santo - UNES, Mestre em Biociências e Biotecnologia na UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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