Pela primeira vez, nós podemos ver o HIV se disseminando em tempo real!

Com o intuito de entender melhor como o HIV age dentro de organismos vivos, pesquisadores tem feito algo inédito: gravar vídeos que mostram como o vírus se espalha em um rato, em tempo real!

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Microscopia de fluorescência mostrando o HIV e da leucemia murina em verde, o tecido do linfonodo do camundongo em azul e linfócitos B-1a em vermelho. Fonte: Science Alert

Para visualizar diretamente o HIV, pesquisadores da Universidade de Yale, nos EUA, usaram vírus marcados com fluorescência e os filmaram através de microscopia, para observar a forma pela qual eles se espalham em um organismo vivo, no caso, um camundongo anestesiado. E se surpreenderam com o resultado!

“É totalmente diferente do que as pessoas pensam”, disse Walther Mothes, professor adjunto de patogênese microbiana e co-autor sênior da pesquisa, em um comunicado de imprensa.

O estudo, publicado este mês na conceituada revista Science (sonho de publicação de muitos pesquisador, diga-se de passagem), descreve como os pesquisadores estão fazendo para visualizar o caminho pelo qual o retrovírus se dissemina no tecido de órgãos linfoides secundários de camundongos.

O que você pode ver no vídeo abaixo, é o vírus (o HIV e o vírus da leucemia murina, marcados em verde) chegando no tecido do linfonodo do camundongo (em azul), quando ele se liga à camada dos macrófagos residentes, graças à uma proteína adesiva chamada CD169/Siglec-1.

Então, no vídeo a seguir, um raro subtipo de linfócitos B, conhecido como linfócito B-1a (em vermelho) infiltra a camada de macrófagos cheia de vírus (em verde), resultando no anexamento dos vírus aos linfócitos B-1a. Os pesquisadores dizem que esses linfócitos infectados migram para o linfonodo em seguida, propagando a infecção através de sinapses virológicas (uma forma da célula infectada transmitir o vírus para outra, através de contato célula-célula).

Depois de apenas um ou dois dias, os linfócitos B-1a infectados terão possibilitado a transmissão completa do vírus. Vendo isso de perto, os cientista poderão encontrar uma forma de parar o HIV.

De acordo com os pesquisadores, se nós pudermos encontrar um modo de bloquear a ação da proteína adesiva CD169/Siglec-1, que ajuda o vírus a se ligar aos macrófagos, a transmissão celular do vírus poderia ser evitada.

Ainda é cedo, mas estas técnicas de microscopia poderiam ajudar a revolucionar a luta contra os retrovírus. “O estudo direto de patogêneses virais com animais vivos deve revelar mais surpresas no futuro”, diz Mothes.

Fonte: Science Alert e Glia News.

Igor Cunha

Biomédico, formado pela Faculdade do Espírito Santo - UNES, Mestre em Biociências e Biotecnologia na UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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Biomédico, formado pela Faculdade do Espírito Santo - UNES, Mestre em Biociências e Biotecnologia na UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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