Células nervosas na medula espinhal poderiam acabar com sensação de coceira

Uma mosca ao posar no seu braço pode provocar uma coceira enlouquecedora. Agora, os cientistas têm descoberto células nervosas em camundongos que reduzem essa sensação. Se os seres humanos possuírem “caçadores de coceira” semelhantes, os resultados, publicados em outubro na Science, poderiam levar tratamentos para as milhões de pessoas que sofrem da intratável coceira crônica.

Um grupo de células nervosas na medula espinhal de um camundongo (vermelho) reduzir coceira mecânica, sugere um novo estudo.
Um grupo de células nervosas na medula espinhal de um camundongo (vermelho) podem reduzir coceira mecânica, sugere um novo estudo. Fonte: Science News.

Para muitas dessas pessoas, atualmente não existem boas opções. “Este é um grande problema”, diz Gil Yosipovitch, clínico da Faculdade de Medicina da Universidade Temple, na Filadélfia, e diretor do Temple Itch Center. O novo estudo mostra que os camundongos lidam com a coceira causada por um toque oscilante de forma diferente da que tratam os outros tipos de coceira. Esta distinção “parece ter aplicações clínicas que claramente abrem nosso campo”, diz Yosipovitch.

Nos últimos anos, os cientistas fizeram progressos provocando além das vias que levam os sinais de coceira na pele para a medula espinhal e para o cérebro. Mas estes sinais de coceira muitas vezes se originam de produtos químicos, tais como aqueles das picadas de mosquitos. Tudo o que é necessário para desencadear um tipo diferente de coceira, chamada de coceira mecânica, é um leve toque na pele. A existência deste tipo de coceira não causa nenhuma surpresa, diz Yosipovitch. A coceira mecânica pode ajudar a explicar por que roupas secas ou até mesmo pele escamosa podem causar coceira.

A nova descoberta veio da coceira em camundongos projetados para não apresentar um tipo de célula nervosa em suas medulas espinhais. Estes camundongos se arranharam com tanta frequência que eles desenvolveram feridas com manchas sem pelos em sua pele. “Eles têm o desejo de coçar o tempo todo”, diz o co-autor de estudo, Qiufu Ma, neurocientista da Harvard Medical School. Um leve toque de um filamento causou a coceira nos camundongos e eles passaram a se coçar mais do que os camundondos normais. No entanto, os camundongos com coceira responderam a dor e a coceira química normalmente. Os resultados sugerem que o corpo tem uma forma dedicada e específica de detectar a coceira mecânica, diz Ma.

Se um leve toque bate no acelerador de coceira, então essas células nervosas da medula espinhal são os freios, diz o neurocientista Martyn Goulding, do Instituto Salk para Estudos Biológicos, em La Jolla, Califórnia – EUA, que também é um co-autor do estudo. A remoção destas células nervosas permite que o sinal de coceira prossiga sem verificação, diz ele.

Com a descoberta destas células nervosas de bloqueio da coceira, os cientistas podem agora começar a reconstituir o resto da via, que detecta o mecanismo de coceira sobre a pele e transporta o sinal para o cérebro, diz Goulding. Estas células nervosas produzem um sinal químico chamado neuropeptídeo Y. Experimentos que examinem o neuropeptídeo Y, bem como as células nervosas nas quais ele têm influencia, irão ajudar a esclarecer como uma coceira mecânica torna-se conhecida, diz ele.

Faz sentido que a pele humana, particularmente a pele aveludada, iria desenvolver a capacidade de detectar uma coceira, diz Goulding. “Se você tem parasitas ou insetos transmissores de doenças que estão em sua pele, mordendo você, eles podem introduzir patógenos”, diz ele. Um rápido arranhão, solicitado por uma coceira, poderia impedir isso.

Fonte: Science News.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
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