As células de gordura alteram os nutrientes que consomem a medida que amadurecem

Muitos de nós queremos perder um pouco (ou muito) de peso, mas apesar de toda a pesquisa que está sendo feita para ativar este processo, ainda há muito que não sabemos sobre as células de gordura. No caso em questão, pesquisadores dos EUA acabam de descobrir que as células de gordura metabolizam nutrientes diferentes à medida que amadurecem.

Atualmente a pesquisa é limitada ao laboratório, mas poderia ajudar a explicar por que algumas pessoas com obesidade e diabetes acham tão difícil perder peso. Ela também sugere novos tratamentos potenciais de perda de peso para estes indivíduos.

Imagem de uma microscopia que representas as células de gordura (adipócitos) após a diferenciação. As células são coradas com Oil Red O, que destaca os lipídios ou gotas de gorduras que se acumulam com os adipócitos. Os estudos metabólicos descritos aqui indicaram que as células de gordura produzem estes ácidos graxos, em parte, a partir de aminoácidos essenciais, ao invéz de somente açúcar.
Imagem de uma microscopia que representa as células de gordura (adipócitos) após a diferenciação. As células são coradas com Oil Red O, que destaca os lipídios ou gotas de gorduras que se acumulam com os adipócitos. Os estudos metabólicos descritos aqui indicaram que as células de gordura produzem estes ácidos graxos, em parte, a partir de aminoácidos essenciais, ao invés de somente açúcar. Fonte: UC San Diego.

“Este estudo destaca como tecidos específicos em nossos corpos utilizam nutrientes específicos”, disse o pesquisador Christian Metallo, da Universidade da Califórnia, em San Diego. “Ao compreender o metabolismo das células de gordura no nível molecular, estamos preparando o terreno para novas pesquisas para identificar melhores alvos de drogas para o tratamento de diabetes e obesidade “.

O que a equipe de Metallo descobriu é que as células mudam a sua dieta a partir do momento  em que são pré-adipócitos – os precursores de células de gordura – para quando são adipócitos maduros, que são as células que se especializam no armazenamento de gordura e nos fazem ficar acima do peso.

Os pesquisadores desenvolveram esses pré-adipócitos em laboratório e mostraram que nos primeiros estágios, eles quebravam a glicose, um açúcar simples, para crescer e produzir energia. Mas como eles amadureceram, não pararam na glicose e também começaram a metabolização de um pequeno grupo de aminoácidos essenciais, conhecidos como aminoácidos de cadeia ramificada.

Isto é interessante, porque apesar de todos nós termos estes aminoácidos de cadeia ramificada em nossos corpos, os níveis em pessoas com diabetes e obesidade são tipicamente muito mais elevados, e os cientistas não têm sido capazes de descobrir o porquê.

“Demos um passo para a compreensão do por que estes aminoácidos estão se acumulando no sangue dos diabéticos e daqueles que sofrem de obesidade”, disse um dos pesquisadores, Courtney Green. “O próximo passo é entender como e por que esta via metabólica torna-se prejudicada nas células de gordura dessas pessoas.”

A coisa óbvia a se fazer seria conseguir que o corpo parasse de produzir aminoácidos de cadeia ramificada, em uma tentativa de morrer de fome ou retardar o crescimento de adipócitos maduros. Mas, infelizmente, nós precisamos destes aminoácidos para sobreviver, de modo que esta não é uma opção.

Em vez disso, a equipe está tentando aprender mais sobre os caminhos bioquímicos que essas células de gordura usam para crescer, na esperança de encontrar uma maneira de adulterar este processo.

“Estamos curiosos sobre como diferentes células em nosso corpo, como células de gordura, consomem e metabolizam os nutrientes que as cercam”, disse Metallo. “Uma melhor compreensão de como esses caminhos bioquímicos são usados ​​por essas células poderiam nos ajudar a encontrar novas abordagens para tratar doenças como o câncer ou a diabetes “.

Fonte: Science Alert.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF – Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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