Como a agricultura mudou o genoma Europeu

Quando os primeiros fazendeiros do Oriente Médio chegaram à Europa, há 8.500 anos atrás, trazendo com eles a habilidade de arar a terra, trouxeram mais do que um novo estilo de vida: eles causaram alterações em genes que mudaram a forma como os Europeus digeriam alimentos e se adaptavam a doenças.

Em um novo estudo publicado em novembro na revista científica Nature, um grupo de cientistas internacional sequenciou o DNA ancestral de 230 pessoas que viveram entre 3.000 e 8.500 anos na Europa, na Sibéria e na Turquia.

No início deste ano, esta mesma equipe publicou um artigo no qual explica como a seleção natural favoreceu a disseminação de genes para a pele branca, a alta estatura e para a capacidade de digerir açúcares do leite.

Fóssil humano europeu
Fóssil humano – Fonte: Science Magazine

No artigo publicado em novembro, os pesquisadores sequenciaram o DNA de outros esqueletos e descobriram que a transição para a agricultura também favoreceu genes para digerir gorduras, assim como genes imunes que protegem contra doenças infecciosas, como a tuberculose e a hanseníase. Curiosamente, a equipe também descobriu a disseminação de duas variantes genéticas associadas à doença celíaca, causada pela intolerância ao glúten. Estas variantes podem ter sido favorecidas porque ajudam a compensar uma deficiência – associada com algumas dietas agrícolas – de um aminoácido chamado ergotioneína (derivado da histidina). Mas as variantes também têm o efeito colateral de aumentar doenças célicas e de Cronh (uma doença inflamatória do trato gastrointestinal).

Com isto podemos ter ideia de como uma mudança na alimentação pode ser importante e causar mudanças no nosso corpo – ou em todo um povo.

Fonte: Science Magazine.

Igor Cunha

Biomédico, formado pela Faculdade do Espírito Santo - UNES, Mestre em Biociências e Biotecnologia na UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

Igor Cunha

Biomédico, formado pela Faculdade do Espírito Santo - UNES, Mestre em Biociências e Biotecnologia na UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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