A dança sincronizada alivia a dor, de acordo com um novo estudo

Você já dançou quadrilha, não é mesmo? Um grupo dançando em sincronia forma um espetáculo bem bonito de se ver! Aqui no Brasil temos outras danças sincronizadas, como a Dança de Peão e a Dança do Vaqueiro do Marajó, aonde se dança trotando e simulando laçadas. Mas o que isto tem haver com o alivio da dor?

De acordo com um novo estudo, este tipo de dança em sincronia aumenta as conexões sociais entre os participantes e aumentam os seus limiares de dor, deixando os dançarinos mais tolerantes a ela.

Um grupo de pesquisadores (membros da Universidade de Oxford, da Inglaterra) recrutou 264 estudantes de escolas da ilha de Marajó, no Pará, para que aprendessem quatro movimentos de dança e então realizá-los em conjunto e fora de sincronia em uma batida de dança eletrônica que tinha o ritmo de 130 batidas por minuto (ouça aqui).

Quadrilha
A quadrilha! Um exemplo de dança em sincronia.

Quando fizeram os movimentos em sincronia, os cientistas descobriram que os estudantes se sentiram mais ligados com os seus companheiros de dança. Além disso, dançar juntos também diminuiu a sensibilidade à dor dos estudantes: antes e depois da dança, os cientistas colocaram medidores de pressão arterial nos braços dos adolescentes e, lentamente, mas com segurança, começaram a inflá-los, pedindo aos alunos para dizer quando a sensação passou a ser desconfortável. Aqueles que tinham dançado em sincronia com o outro foram capazes de tolerar 20 unidades adicionais de pressão após a sessão, o que sugere que a sua resposta à dor provavelmente havia sido aliviada pela liberação de substâncias químicas do cérebro chamadas endorfinas.

Embora o esforço físico também libere endorfinas, isso não pode explicar os resultados, de acordo com os pesquisadores: mesmo os estudantes que fizeram os movimentos em sincronia que exigiam pouco esforço apresentaram diminuição da sensibilidade à dor e uma maior sensação de proximidade com os seus companheiros.

A pesquisa, publicada na revista Biology Letters, se encaixa com estudos anteriores mostrando que as pessoas que batem palmas em sincronia ou que caminham passo a passo, confiam mais umas nas outras e estão mais dispostas a ajudar uma a outra, de acordo com os pesquisadores. Eles acrescentam que as terapias que envolvem movimento sincronizado poderiam ajudar pessoas com autismo a formar conexões sociais.

Fonte: Science Magazine.

Igor Cunha

Biomédico, formado pela Faculdade do Espírito Santo - UNES, Mestre em Biociências e Biotecnologia na UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

Igor Cunha

Biomédico, formado pela Faculdade do Espírito Santo - UNES, Mestre em Biociências e Biotecnologia na UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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