Fezes humanas poderiam fornecer energia para milhões de casas

Nos países em desenvolvimento, muitas pessoas não tem acesso a um banheiro e precisam defecar ao ar livre ou em fossas improvisadas. Existem dados que indicam que quase 1 bilhão de pessoas convivem com esta situação. Mas, de acordo com um novo estudo, estes dejetos deveriam ser usados para gerar energia, ao invés de ir pro lixo.

Estas fezes poderiam gerar calor ou energia suficiente para atender a milhões de casas, ao invés de contaminarem o meio ambiente e transmitirem doenças.

Se esses resíduos fossem depositados em latrinas, recolhidos e aquecidos em fornos a temperaturas superiores a 300ºC, para produzir carvão vegetal, teríamos cerca de 8,5 milhões de toneladas deste combustível, de acordo com dados do Instituto de Água, Meio Ambiente e Saúde, da Universidade das Nações Unidas (em tradução literal de United Nations University Institute for Water, Environment and Health). Este carvão produzido a partir das fezes tem o mesmo poder energético que o carvão vegetal comum, de acordo com os pesquisadores.

Cenas como estas são comuns em vários países do mundo. Neste caso, apesar de parecer ser no Brasil, é em Madagascar. Fonte: IPS.
Cenas como estas são comuns em vários países do mundo. Neste caso, apesar de até parecer ser no Brasil, é em Madagascar. Fonte: IPS.

Além disso, as fezes liberadas a céu aberto poderiam ser fermentadas com microrganismos produtores de metano em grandes tanques, produzindo gás suficiente para abastecer 18 milhões de residências. Em termos financeiros, isto renderia 376 milhões de dólares em gás.

A falta de saneamento básico nos países em desenvolvimento (ou emergentes), como na Índia, Bangladesh, Madagascar e até no nosso querido Brasil, é uma questão que ainda é discutida, mas pouco resolvida. Opções existem, mais ainda falta o devido investimento. Transformar dejetos em energia pode ser uma alternativa que trará benefícios para a sociedade e para as indústrias, então quem sabe não se torne realidade em breve.

Fonte: Science Magazine.

Igor Cunha

Biomédico, formado pela Faculdade do Espírito Santo - UNES, Mestre em Biociências e Biotecnologia na UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

Igor Cunha

Biomédico, formado pela Faculdade do Espírito Santo - UNES, Mestre em Biociências e Biotecnologia na UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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