Digitar com o pensamento está se tornando cada vez mais rápido!

Um grupo de pesquisadores descobriu uma maneira de aumentar a velocidade e o tempo que quatro pessoas paralisadas podem digitar usando apenas o pensamento. Este avanço se deu graças ao aprimoramento de uma interface cérebro-computador (BCI, do inglês brain-computer interface) , que foi implantada no tecido cerebral para captar os sinais de centenas de neurônios, enviados quando as pessoas imaginam mover um cursor no computador.

Este dispositivo utiliza um algoritmo de computados para decodificar estes sinais e guiar um cursor real na tela do computador até letras e palavras.

Entretanto, até então, existia um problema com o BCI: o próprio cérebro. Como qualquer órgão macio, o cérebro se move ligeiramente dentro do crânio, o que é suficiente para deslocar os eletrodos implantados. Isto resulta em distorções no sinal captado pelo equipamento, tornando impossível o seu uso prolongado pelo paciente, que começa a perder o controle do cursor. Isto acontece a cada 10 minutos, aproximadamente,  tornando necessário que um pesquisador faça a recalibração.

O software da interface cérebro-máquina (BCI) na tela de um computador. Neste link você pode ver este sistema em ação. Fonte: Science Magazine.
O software da interface cérebro-máquina (BCI) na tela de um computador. Neste link você pode ver este sistema em ação. Fonte: Science Magazine.

No novo estudo, parte de um teste clínico de uma BCI chamada BrainGate,  os pesquisadores fizeram diversos ajustes no software, fazendo com o que o dispositivo realize uma autocorreção em tempo real, através de cálculos da intenção do escritor, com base nas palavras que ele já escreveu. Isto acontece de forma parecida com os corretores de texto presentes nos smartphones.

Com estas melhorias, os usuários dessa BCI podem digitar mais rápido e por longos períodos de tempo, que vão de horas a dias, como os pesquisadores relataram na revista Science Translational Medicine.

A tecnologia ainda precisa ser miniaturizada e se tornar sem fio antes de ficar disponível ao público, mas este é um passo importante para que pessoas que sofrem de paralisia e não podem se comunicar possam utilizar uma interface cérebro-máquina em suas próprias casas.

É possível ver o software em ação clicando neste link.

Fonte: Science Magazine.

Igor Cunha

Biomédico, formado pela Faculdade do Espírito Santo - UNES, Mestre em Biociências e Biotecnologia na UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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Biomédico, formado pela Faculdade do Espírito Santo – UNES, Mestre em Biociências e Biotecnologia na UENF – Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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