O impacto dos pesticidas sobre a saúde

Hoje o texto é de uma convidada especial: Juliana Dalbó é biomédica, atua em projetos de conscientização dos riscos inerentes ao uso do álcool, tabaco e drogas ilícitas, assim como do contato com agrotóxicos e cursa especialização em “Gestão em saúde pública e meio ambiente”.

A ação dos pesticidas sobre a saúde humana costuma ser deletéria e muitas vezes fatal, dependendo da forma, do tempo de exposição e do tipo de produto, por sua toxicidade específica. O Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox) registrou 62 mil intoxicações por agrotóxico no país, uma média de 15,5 por dia, entre 1999 e 2009.

Para compreender melhor, intoxicação “é um processo patológico causado por substâncias químicas endógenas ou exógenas e caracterizado por um desequilíbrio fisiológico, em consequência das alterações bioquímicas no organismo”. Quando o ser humano é exposto a produtos químicos, pode absorvê-los por via respiratória, dérmica ou oral e, assim, o homem pode apresentar intoxicação aguda ou crônica. A intoxicação aguda ocorre quando o homem é exposto a grandes doses de pesticida por um curto período de tempo. O quadro agudo varia de intensidade, desde leve até grave, podendo ser caracterizado por náusea, vômito, cefaleia, tontura, desorientação, hiperexcitabilidade, parestesias, irritação de pele e mucosas, fasciculação muscular, assim como, dificuldade respiratória, hemorragia, convulsões, coma e até morte.

Quando exposto por longos períodos e em baixas concentrações aos pesticidas, acontece a chamada intoxicação crônica. Esta pode causar alterações imunológicas, genéticas, malformações congênitas, câncer e ainda causa efeitos deletérios sobre os sistemas nervoso, hematopoiético, respiratório, cardiovascular, geniturinário, trato gastrintestinal, hepático, reprodutivo, endócrino, na pele e nos olhos, além de reações alérgicas e alterações no comportamento.

Além disso, os organoclorados são carcinogênicos e mutagênicos, a longo prazo, podem causar mau funcionamento do fígado, deformações no útero, distúrbios renais, desequilíbrio hormonal, como na produção de estrógenos, aumentar a pressão arterial e causar hemorragias internas.Agrotoxicos - avião

Os pesticidas também aumentam a resistência aos antibióticos, pois após a exposição das toxinas, as bactérias reagem de maneira diferente aos antibióticos comuns, tais como a ampicilina, a ciprofloxacina e a tetraciclina. E ainda atuam como interferentes endócrinos nas substâncias sintéticas (incluem os hormônios sintéticos que são idênticos aos naturais, fabricados pelo homem e utilizados como contraceptivos orais e/ou aditivos na alimentação animal).

O crescente uso de agrotóxicos na produção agrícola e a consequente presença de resíduos acima dos níveis autorizados nos alimentos têm sido alvos de preocupação no âmbito da saúde pública. Homens que comem quantidades regulares de frutas e legumes com resíduos de pesticidas apresentam contagem de esperma 49% menor, quando comparado a homens que consomem uma quantidade menor destes produtos. Além disso, doenças, como câncer de fígado, de cérebro, leucemias e alguns tipos de tumores podem estar relacionadas ao consumo involuntário de agrotóxicos.

Agrotóxico

Além do mais, estes produtos químicos aumentam o risco de aparecimento da doença de Alzheimer. A presença elevada de um substrato do pesticida no sangue está ligada a uma probabilidade quatro vezes maior de desenvolver o mal e de derrubar uma defesa natural do cérebro contra substâncias nocivas a que estamos expostos no dia a dia. Especialmente em pessoas com uma propensão genética, essa falha abre caminho para à doença de Parkinson, marcada por tremores involuntários.

Os pesticidas têm a propriedade de atravessar a placenta humana e alterar algumas funções cerebrais por meio da inibição da sinalização de compostos. Assim, crianças quando expostas ainda no útero a grandes quantidades de pesticidas neurotóxicos apresentaram QIs mais baixos.

A substituição de alguns compostos químicos por práticas de controle mais sustentáveis e/ou manejo e cuidados adequados no uso desses componentes minimizaria os malefícios que acometem trabalhadores, produtores e fabricantes. Para tanto, estudos devem ser realizados mantendo a perspectiva de mudanças e soluções para os diversos problemas relacionados com pesticidas.

Juliana Dalbó

Juliana Dalbó

Biomédica, formada pela UNES - Faculdade do Espírito Santo, com especialização em Gestão em Saúde Pública e Meio Ambiente pela Universidade Cândido Mendes - UCAM. Atualmente cursa doutorado em Biotecnologia na Universidade do Espírito Santo pela RENORBIO - Rede Nordeste de Biotecnologia.
Juliana Dalbó

Últimos posts por Juliana Dalbó (exibir todos)

Juliana Dalbó

Biomédica, formada pela UNES – Faculdade do Espírito Santo, com especialização em Gestão em Saúde Pública e Meio Ambiente pela Universidade Cândido Mendes – UCAM. Atualmente cursa doutorado em Biotecnologia na Universidade do Espírito Santo pela RENORBIO – Rede Nordeste de Biotecnologia.

%d blogueiros gostam disto: