O aumento dos níveis de hormônios do estresse desencadeiam o crescimento de células de gordura

Uma nova pesquisa pode ajudar a explicar por que o estresse crônico, a privação do sono e outras perturbações nos ritmos diários do corpo estão ligados à obesidade.

121815_ti_cirdian-fat_free
Perturbar o ritmo diário do corpo pode levar à obesidade. Uma nova pesquisa sobre o desenvolvimento das células de gordura pode explicar o porquê. Fonte: Science News.

A exposição crônica aos hormônios do estresse estimula o crescimento das células de gordura, como relatou Mary Teruel, da Universidade de Stanford, na reunião anual da American Society for Cell Biologyno, dia 16 de dezembro. Normalmente, os hormônios do estresse, como o cortisol, são liberados durante as horas de vigília em rajadas regulares que se seguem diariamente, ou seja, em ritmos circadianos. Esses impulsos regulares não causam o crescimento de gordura, descobriu Teruel e seus colegas. Mas períodos estendidos de exposição a hormônios, causados por poucas horas de sono prolongado, quebram esse ritmo e levam a mais células de gordura.

Mesmo que apenas cerca de 10% das células de gordura sejam substituídas a cada ano, o corpo mantém uma série de células pré-gordurosas que estão prestes a se transformarem em gordura. “Se todas elas estivessem diferenciadas de uma vez, você estaria se afogando em gordura”, disse Teruel.

Estudos anteriores têm demonstrado que uma proteína chamada PPAR-gama controla o desenvolvimento de células de gordura e que hormônios do estresse estão ligados à produção de PPAR-gama. A equipe de Teruel descobriu que as células pré-gordurosas com níveis de PPAR-gama abaixo de um certo limiar não se transformam em gordura em testes de laboratório. A exposição hormonal constante, eventualmente, permitiu que as células precursoras construíssem o suficiente de PPAR-gama para cruzar o limiar para a formação de gordura. Mas em células onde foram dadas a mesma quantidade total de hormônio do estresse em impulsos curtos, os níveis de PPAR-gama subiam e desciam.

O hormônio do estresse funciona como um pisão no acelerador de um carro. O constante aumento da pressão finalmente coloca o carro em excesso de velocidade, enquanto impulsos efetivos de tirar o pé do pedal do acelerador, causam lentidão periódica que fica aquém do limiar de formação de gordura. Os impulsos mais curtos do que 12 horas não fazem gordura extra, enquanto impulsos mais longos, tais como os que podem ser causados por privação do sono, excessos ou outros distúrbios nos ritmos circadianos, aumentaram o número de células precursoras que se tornaram células de gordura.

Fonte: Science News.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Últimos posts por Vinicius Mussi (exibir todos)

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF – Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

%d blogueiros gostam disto: