O ano em análise: a genética do câncer cresce

A genômica personalizada tem sido anunciada como a próxima grande arma na guerra contra o câncer. Mas pesquisadores que analisaram diversos tipos de tecidos no ano passado, à procura de mutações relacionadas com a doença, descobriram que nem todas as alterações genéticas devem ser vistas da mesma forma.

“A genética está mudando a oncologia para o bem”, diz Benjamin Kipp, um especialista em genética clínica da Clínica Mayo, em Rochester, EUA. “Mas a interpretação pode prejudicar o paciente.”

122615_15_feat_0
Analisar a individualidade genética de tumores (células de melanoma mostradas) oferece uma grande promessa para melhorar o diagnóstico e tratamento, mas novos estudos mostram que nem todas as mutações podem ser tratadas de forma igual. Fonte: Science News.

Os perfis genéticos de tumores oferecem oportunidades sem precedentes para o diagnóstico do câncer e para os médicos no planejamento do tratamento. Tumores de câncer de intestino com mutações no gene KRAS, por exemplo, respondem mal a droga Cetuximab; a droga contra o câncer de pele, Vemurafenib (comercializada como Zelboraf) só funciona em melanomas com uma mutação específica no gene BRAF.

Mas tais testes genéticos podem ser enganosos, se não forem realizados em conjunto com testes em células saudáveis ​​da mesma pessoa, diz o oncologista Victor Velculescu da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins. Ele liderou uma vasta análise comparando os perfis genéticos de tumores e tecidos normais de mais de 800 pacientes com câncer e descobriu que quase dois terços das mutações nos tumores estudados – muitos dos quais podem ser usados ​​para orientar o tratamento – também apareceu em pacientes com “tecidos saudáveis”. Para os doentes, as mutações provavelmente eram apenas variantes benignas não relacionadas ao câncer. Analisando também o tecido saudável, pode-se revelar se mutações encontradas em tumores são hereditárias ou não, diz Velculescu, o que é importante para decidir se a família de um paciente com câncer deve receber aconselhamento genético.

122615_15_inline
Mutações ligadas ao câncer são surpreendentemente comuns em pele da pálpebra saudável. Cores mostram genes mutantes; círculos indicam o tamanho da mancha de pele possuindo a mutação. Fonte: Science News.

Para complicar ainda mais as coisas, existe o fato de que mesmo as mutações que têm sido associadas ao câncer não irão sempre se manifestar como câncer. Um estudo publicado em maio do ano passado, examinando a pele da pálpebra descobriu inúmeras mutações associadas ao câncer em ​​manchas normais e saudáveis da pele. Detectar essas mutações poderia levar a uma grande ansiedade e, por vezes, tratamentos invasivos desnecessários.

Como os testes genéticos de tumores se tornaram mais generalizados, melhores práticas surgirão, assim como uma melhor compreensão da doença. “Estamos tentando mudar a forma como olhamos para o câncer”, diz Sameek Roychowdhury, um médico oncologista do Ohio State University Comprehensive Cancer Center, em Columbus. “Mas estamos apenas vendo a ponta do iceberg.”

Fonte: Science News.

 

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF – Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

%d blogueiros gostam disto: