Uma nova espuma injetável pode reparar e regredir a degeneração dos ossos

Pesquisadores da França desenvolveram um tipo especial de espuma injetável que poderia ser uma ajuda significativa na reparação de ossos danificados por doenças degenerativas, como a osteoporose. Enquanto o cimento de fosfato de cálcio (CPC) tem sido utilizado na reparação óssea por muitos anos, esta nova fórmula é muito mais adequada para ser utilizada com ossos mais velhos e frágeis.

A nova mistura de CPC é macroporosa ao invés de microporosa – os buracos maiores o tornaram melhor e mais rápida em reforçar ossos mais velhos. Como pode ser aplicada através de uma seringa, trazendo o mínimo de desconforto para o paciente, não apresenta nenhum dos inconvenientes ou riscos associados a uma operação maior.

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Nova pasta injetável utilizada para tratamento de doenças degenerativas dos ossos, assim como a osteoporose.

“A nossa abordagem é simples e nos deu muitos bons resultados em termos de propriedades mecânicas e estruturas macroporosas,” disse o pesquisador Pierre Weiss, da Universidade de Nantes à Chemistry World. “Nós pensamos que este poderia ser um bom biomaterial, talvez com moléculas ativas, para agir contra a osteoporose localmente. Nós precisamos determinar a comprovação deste conceito em modelos animais.”

O ingrediente mágico acabou por ser um hidrogel especial que agiu como um agente espumante e criou bolhas de ar dentro da mistura original. Quando o hidrogel foi misturada rapidamente com a base de CPC, resultou na nova espuma, que poderia ser particularmente útil para a reparação de tecido flexível e esponjoso que degenera tipicamente nos corpos de doentes com osteoporose.

Com base em testes efetuados com coelhos, a espuma fez com que se formasse o novo osso, sem trazer efeitos tóxicos sobre o corpo. Mas muitos testes adicionais serão necessários antes que a substância seja utilizada em seres humanos.

“Existem poucos grupos de pesquisa sobre esta questão e diferentes soluções propostas”, disse Eduardo Saiz, que investiga biomateriais para reparação óssea no Colégio Imperial de Londres, mas que não esteve envolvido no estudo. “Esta poderia ser uma, visto que os resultados preliminares são muito interessantes. Se a pesquisa progredir bem, ela poderia dar aos cirurgiões um  material fácil de usar para procedimentos minimamente invasivos, o que iria beneficiar a prática clínica.”

O primeiro uso registrado de CPCs na reparação óssea remonta à década de 1920 e, desde então, eles estão permitindo que os cirurgiões reparem ossos defeituosos com uma mistura que se auto-ajusta, não é tóxica e é relativamente fácil de aplicar. A nova fórmula de hidrogel abre a possibilidade de trazer os mesmos benefícios para os ossos que foram substancialmente perdidos devido a doença.

Traduzido originalmente de : Science Alert.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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