Agrotóxico, álcool e tabaco: uma associação perigosa a saúde dos trabalhadores rurais

Várias doenças relacionadas com o uso do tabaco, álcool e agrotóxicos já foram descritas na literatura, como o aparecimento de doenças hepáticas, cardiovasculares e tumores malignos diversos, porém, mais recentemente, o aparecimento de doenças neurológicas e psiquiátricas, como a doença de Alzheimer, depressão e outros transtornos também foram associados à esta tríade.

A associação destas substancias por agricultores pode gerar uma grande exposição destes indivíduos a agentes mutagênicos e/ou carcinogênicos, visto que o cigarro sozinho contém mais de 4.700 substâncias químicas, dentre elas muitos agentes mutagênicos e/ou carcinogênicos, como geradores de espécies reativas de oxigênio (ROS) e metais pesados (como níquel e cobalto, que são mimetizadores de hipóxia). Além disso, os aldeídos provenientes da metabolização do álcool podem contribuir para os efeitos reforçadores do tabaco.

A administração oral de etanol pode acentuar a exposição ambiental de outros xenobióticos, exemplo disto é o aumento da absorção transdérmica de substâncias químicas aplicadas topicamente por etilistas, como a absorção de herbicidas. Além disso, a ingestão de álcool induz o aumento da absorção de agrotóxicos como Paraquat e Atrazina, assim como da dimetilformamida e até de repelentes de insetos, bem como o agente carcinogênico nitrosonornicotina, do tabaco.

Álcool e cigarro
Uma mistura perigosa para a sua saúde. Se você trabalha com agrotóxicos, os riscos se tornam ainda maiores!

Os efeitos dos compostos organofosforados estão relacionados à inibição da enzima acetilcolinesterase. Os sintomas de intoxicação podem ser relacionados a efeitos similares à nicotina nos tecidos musculares e no sistema nervoso central, além de alteração nas hemácias, comprometendo o transporte de oxigênio. Tais fatores são considerados de alto risco por estarem associados à hipóxia.

Além do tabaco e do álcool, o crescente uso de agrotóxicos na produção agrícola e a presença de resíduos acima dos níveis autorizados nos alimentos são questões preocupantes para a saúde pública, o que demanda a ação de diversas áreas do governo, investimento e organização para implementar ações de controle do uso destas substâncias químicas.

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Esta publicação foi escrita pela convidada especial Juliana Dalbó. Ela é biomédica, cursa especialização em “Gestão em saúde pública e meio ambiente” e atua em projetos de conscientização dos riscos inerentes ao uso do álcool, tabaco e drogas ilícitas.

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REFERÊNCIAS

JI, B.; BI, Y.; SIMEONE, D.; MORTENSEN, R. M.; LOGSDON, C. D .Human pancreatic acinar cells lack functional responses to cholecystokinin an gastrin. Gastroenterology, n. 121, p. 1380-1390, 2001.

HECHT, S. S. Tobacco Smoke Carcinogens and Lung Cancer. Journal of the National Cancer Institute, v. 91, n. 14, 1999.

ANVISA. PROGRAMA DE ANÁLISE DE RESÍDUOS DE AGROTÓXICOS EM ALIMENTOS (PARA). RELATÓRIO DE ATIVIDADES DE 2011 E 2012. ANVISA, Brasilia, 29 outubro de 2013.

ROUSSEAU, J. M.; RÜTTIMANN, M.; BRINQUIN, L. Acute neurotoxic organophosphate poisoning: insecticides and chemical weapons. Ann Fr Anesth Reanim. v. 19, n. 8, p. 588-98, 2000.

CEBRID – CENTRO BRASILEIRO DE INFORMAÇÕES SOBRE DROGAS PSICOTRÓPICAS, 2010. Livreto sobre Tabaco. Disponível em: < http://www.cebrid. epm.br/index.php>. Acessado em: 14 de fevereiro de 2012.

Juliana Dalbó

Juliana Dalbó

Biomédica, formada pela UNES - Faculdade do Espírito Santo, com especialização em Gestão em Saúde Pública e Meio Ambiente pela Universidade Cândido Mendes - UCAM. Atualmente cursa doutorado em Biotecnologia na Universidade do Espírito Santo pela RENORBIO - Rede Nordeste de Biotecnologia.
Juliana Dalbó

Juliana Dalbó

Biomédica, formada pela UNES - Faculdade do Espírito Santo, com especialização em Gestão em Saúde Pública e Meio Ambiente pela Universidade Cândido Mendes - UCAM. Atualmente cursa doutorado em Biotecnologia na Universidade do Espírito Santo pela RENORBIO - Rede Nordeste de Biotecnologia.

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