A importância da vitamina D

A vitamina D é um hormônio lipossolúvel do grupo dos esteroides, responsável por controlar 10% das funções das nossas células, como o metabolismo ósseo, a resposta imune inata, a proliferação e diferenciação celular. Tem como formas principais a vitamina D2 (ergocalciferol) e a vitamina D3 (colecalciferol).

A maior fonte de vitamina D do organismo é a síntese realizada na pele, catalisada pelas irradiações ultravioletas, as fontes alimentares (óleo de fígado de peixe, salmão, bacalhau, arenque, sardinha, atum, cogumelos e na gema de ovos) contribuem apenas com cerca de 20% das necessidades corporais diárias. Para se tornar ativa, a vitamina D deve passar por duas sucessivas hidroxilações: uma no fígado, formando a 25-hidroxivitamina D (25-OHD3), denominada calcidiol; e outra nos rins, formando seus dois principais metabólitos: a 1α,25-dihidroxivitamina D [1α,25-(OH)2D3] e o 24R,25-dihidroxivitamina D3 [24R,25(OH)2D3. Este processo é regulado pelo paratormônio (PTH) e pelas concentrações sanguíneas de cálcio e fosfato. Em seguida, a 1α,25-OH2D é liberada na corrente circulatória, até alcançar seus tecidos-alvo por meio dos receptores da vitamina D.

Fontes de vitaminas de vitamina D. Fonte da imagem: Quero Saúde.
Fontes de vitamina D. Fonte da imagem: Quero Saúde.

A deficiência/insuficiência de vitamina D é um problema global e atinge cerca de 1 bilhão de pessoas. Os níveis baixos contribuem para o desenvolvimento de 17 tipos de câncer, osteomalácia, osteoporose, queda e fraturas osteoporóticas, diabetes mellitus tipo 1 e diabetes mellitus tipo 2 e diabetes mellitus gestacional. Bem como, depressão, obesidade, esclerose múltipla, gripe, resfriado e doença cardiovascular.

A vitamina D tem funções neuroprotetoras sobre o cérebro, através de vias de antioxidantes e proteção contra efeitos deletérios dos níveis elevados de citocinas pró-inflamatórias durante quadros de depressão. Além disso, também demonstra várias ações protetoras diretamente sobre o coração e vasos sanguíneos, pois participa na regulação da expressão de várias proteínas com ação vascular, como fator de crescimento endotelial, metaloproteinase tipo 9, miosina, elastina, colágeno tipo 1 e ácido γ-carboxiglutâmico e, ainda, na supressão de citocinas pró-inflamatórias.

Estudos recentes mostram que a proteína ativada pela vitamina D está envolvida na reparação de danos à mielina em pessoas com esclerose múltipla (MS). Este nutriente é um imunoregulador que inibe seletivamente o tipo de resposta imunológica que provoca a reação contra o próprio organismo. Vários relatos têm atribuído também, um papel da vitamina D na regulação funcional do pâncreas endócrino, particularmente nas células beta, por induzir a secreção de insulina. E ainda, monócitos e macrófagos expostos à forma ativa da vitamina D melhoram sua capacidade quimiotácica e fagocítica, características indispensáveis para sua atividade microbiana.

Algumas pessoas são mais susceptíveis à deficiência e à insuficiência de vitamina D, como pacientes com síndrome de má absorção, mulheres na pós-menopausa, crianças, gestantes, obesos, pacientes pós-cirurgia bariátrica e idosos. Tendo como exemplo, em indivíduos obesos, uma das causas da deficiência da vitamina D está ligada ao armazenamento nos adipócitos, diminuindo a sua biodisponibilidade e acionando o hipotálamo, resultando no aumento da sensação de fome e na diminuição do gasto energético.

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Esta publicação foi escrita pela convidada especial Juliana Dalbó. Ela é biomédica, cursa especialização em “Gestão em saúde pública e meio ambiente” e atua em projetos de conscientização dos riscos inerentes ao uso do álcool, tabaco e drogas ilícitas.

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Referências:
Guzman de la Fuente, A et al. Vitamin D receptor–retinoid X receptor heterodimer signaling regulates oligodendrocyte progenitor cell differentiation. Journal of Cell Biology; 7, Dez, 2015.

Chiellini G, DeLuca HF. The importance of stereochemistry on the actions of vitamin D. Curr Top Med Chem 2011;11(7):840-59.

Wacker M, Holick MF. Vitamin D – effects on skeletal and extraskeletal health and the need forsupplementation. Nutrients 2013;5(1):111-48.

Vimaleswaran KS, Berry DJ, Lu C, Tikkanen E, Pilz S, Hiraki LT et al. Causal relationship between obesity and vitamin D status: bi-directional Mendelian randomization analysis of multiple cohorts. PLoS Med 2013;10(2):e1001383.

Schuch NJ, Garcia VC, Martini LA. Vitamina D e doenças endocrinometabólicas. Arq Bras Endocrinol Metab 2009;53(5):625-633.

Juliana Dalbó

Juliana Dalbó

Biomédica, formada pela UNES - Faculdade do Espírito Santo, com especialização em Gestão em Saúde Pública e Meio Ambiente pela Universidade Cândido Mendes - UCAM. Atualmente cursa doutorado em Biotecnologia na Universidade do Espírito Santo pela RENORBIO - Rede Nordeste de Biotecnologia.
Juliana Dalbó

Juliana Dalbó

Biomédica, formada pela UNES - Faculdade do Espírito Santo, com especialização em Gestão em Saúde Pública e Meio Ambiente pela Universidade Cândido Mendes - UCAM. Atualmente cursa doutorado em Biotecnologia na Universidade do Espírito Santo pela RENORBIO - Rede Nordeste de Biotecnologia.

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