Droga para a asma parece rejuvenescer cérebros de idosos, diz estudo feito em roedores

Uma nova pesquisa em ratos mostrou que uma droga barata usada para prevenir ataques de asma também poderia ajudar os nossos cérebros no combate aos sintomas da velhice, incluindo a perda de memória, inflamação e perda de desempenho cognitivo.

A droga, conhecida como montelucaste, foi administrada em ratos durante um período de seis semanas e pareceu reduzir a inflamação do cérebro, ao mesmo tempo estimulando o crescimento de novos neurônios. Os cientistas estão agora planejando ensaios clínicos em pacientes com demência, para ver se a droga tem o mesmo efeito em seres humanos.

Independentemente de você desenvolver a doença de Alzheimer ou não, à medida que envelhecemos, seu cérebro vai parando de funcionar, infelizmente. A inflamação aumenta e a produção de células cerebrais fica mais lenta, prejudicando as habilidades de memória e de aprendizagem.

Os cientistas há muito tempo procuravam uma maneira de atrasar o processo de envelhecimento ou revertê-lo completamente, mas a maioria das pesquisas tem-se concentrado em encontrar maneiras de tratar a doença de Alzheimer e a demência, em vez do envelhecimento cognitivo geral.

shutterstock_272063489_web_1024

O estudo foi conduzido por Ludwig Aigner, da Universidade de Medicina Paracelsus, na Áustria, e foi inspirado depois que ele ouviu falar sobre uma ligação entre uma molécula inflamatória da asma e o declínio cognitivo mais grave.

Para testar o envolvimento entre essas duas vias, Aigner e sua equipe decidiram investigar o montelucaste, que é uma droga protegida por patente, que é atualmente utilizada para bloquear a inflamação na asma e prevenir ataques de asma.

Eles deram para dois grupos de ratos doses diárias de montelucaste por seis semanas: um grupo de ratos com quatro meses de idade e um grupo de ratos de 20 meses de idade, que é o equivalente humano de cerca de 65 a 70 anos de idade. Estes ratos mais velhos não têm demência, mas eles estavam mostrando sinais de desaceleração com a idade.

Ao longo do tratamento, os pesquisadores então testaram os dois grupos de ratos em sua capacidade de encontrar repetidamente uma plataforma submersa em uma piscina de água e lembrar onde os objetos em sua gaiola eram colocados inicialmente.

Os ratos mais velhos inicialmente demoraram com ambas as tarefas, mas depois de tomar a droga, o seu desempenho foi muito mais rápido do que seus pares que só receberam um placebo – e quase igualou os ratos mais jovens.

Mas testes também mostraram que os ratos mais velhos que receberam montelucaste também tinham os seus neurônios cultivados mais recentemente em seu cérebro do que os ratos com placebo, e tiveram inflamação menos evidente.

“O importante é que, enquanto nós vimos efeitos sobre a neurogênese, vimos também efeitos em outros sistemas no cérebro”, Aigner disse para Ian Sample no The Guardian. “A droga reduz a inflamação neural no cérebro. Mas nós também olhamos para a barreira hematoencefálica que foi parcialmente restaurada. Nós sabemos que em cérebros envelhecidos a barreira hematoencefálica possui ‘furos’ e que contribui para a inflamação neural. “

O próximo passo é testar o mesmo medicamento nos seres humanos, e a equipe de Aigner planeja começar em pacientes com demência. O fato de que o montelucaste já é utilizado para tratar a asma significa que há menos obstáculos a superar quando se trata de usá-la em humanos, mas pelo fato da droga ser protegida por patente também torna-se mais difícil para uma empresa recuperar o dinheiro necessário para financiar ensaios clínicos.

Vamos esperar que isso não detenha os pesquisadores, porque com uma população em rápido envelhecimento, nós definitivamente precisamos de novas maneiras de manter nossos cérebros mais jovem por mais tempo.

Fonte: Science Alert.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e atualmente mestrando em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e atualmente mestrando em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

%d blogueiros gostam disto: