Medir as ondas cerebrais pode ajudar a prever a resposta de um paciente à anestesia

Os sinais no cérebro podem sugerir se uma pessoa submetida à anestesia vai escapar facilmente ou lutar contra o medicamento, de acordo com um novo estudo. Nos resultados, publicados no dia 14 de janeiro na PLoS Computational Biology, os cientistas estão mais perto de serem capazes de adaptar as doses de drogas poderosas para pacientes específicos.

As doses das drogas muitas vezes são dadas como um todo, em uma dose única, diz o bioengenheiro e neurocientista Patrick Purdon do Massachusetts General Hospital e Harvard Medical School. Mas o novo estudo descobriu diferenças claras nas respostas cerebrais das pessoas a doses semelhantes de uma droga anestésica, diz Purdon. “Para mim, esse é o ponto chave e interessante.”

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Sinais cerebrais diferem entre as pessoas que são e não são susceptíveis a baixas doses de um anestésico, sugere um novo estudo. Antes da sedação, a rede de onda alfa (ligações representadas por linhas coloridas) em algumas pessoas era forte (à esquerda), o que sugere que elas seriam mais resistentes à droga propofol. Durante a sedação, algumas pessoas mostraram fracas redes (no meio) em que sucumbiam à droga. Após o sedativo dissipar, as redes alfa apareceram de forma semelhantes entre as pessoas (à direita). Fonte: Science News.

O neurocientista cognitivo Tristan Bekinschtein, da Universidade de Cambridge, e seus colegas recrutaram 20 pessoas para receber doses baixas do anestésico geral propofol. A dose baixa não foi projetada para nocautear as pessoas, mas para diminuir o seu nível de consciência até um ponto entre estar acordado e estar sonolento e sem resposta.

Quando a droga estava sendo administrada, os participantes ouviam repetidamente um zumbido e eram realizadas perguntas irritantes a cada vez que eles ouviam esse barulho, para avaliar a sensibilização. Das 20 pessoas, sete foram postas de lado pelo propofol e elas começaram a responder menos. Os treze outros participantes, no entanto, continuaram respondendo direito, “lutando contra a droga”, de acordo com Bekinschtein.

As medições de eletroencefalograma (EEG) que acompanhavam a atividade elétrica no cérebro revelou uma assinatura que diferia entre esses dois grupos. Em pessoas que resistiram ao propofol, um determinado tipo de ondas cerebrais chamadas de “oscilação alfa” parecia ser forte e eficiente, com muitas conexões entre as áreas próximas e distantes do cérebro. Em contraste, as pessoas que sucumbiram facilmente à droga tiveram comportamento de ondas alfa mais fracas, menos eficiente.

Essa diferença estava presente mesmo antes que a droga fosse entregue, diz Bekinschtein. No início do experimento, as pessoas já mostravam assinaturas preditivas de onda alfa. Os resultados levantam a possibilidade de que uma medida de EEG pré-cirúrgica poderia identificar a dose mais baixa da droga necessária para colocar a pessoa sobre os efeitos anestésicos, enquanto reduz os potenciais efeitos colaterais.

“É a adição de uma camada de complexidade”, diz Bekinschtein. “Mas a beleza desta é que é uma camada de complexidade que podemos medir, antes de dar a droga.”

Máquinas de EEG estão amplamente disponíveis em clínicas, e Bekinschtein e os seus colegas estão tentando adaptar os seus resultados para serem úteis aos anestesiologistas. “É uma análise muito simples de fazer” uma vez que a estrutura matemática está no lugar, diz Bekinschtein. Ele e outros esperam projetar uma maneira para que os médicos possam inserir os dados brutos de EEG de uma pessoa e obter uma estimativa da susceptibilidade de anestesia.

Purdon adverte que os resultados se baseiam num número limitado de pessoas. “É uma conclusão preliminar a esse respeito”, diz ele. E é necessário mais trabalho para traduzir os resultados de modo que eles possam ser aplicados para pacientes individuais. No entanto, ele diz, todos os resultados “realmente fazem sentido.”

Reportagem traduzida originalmente de Science News.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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