População de bactérias no corpo não supera a de células humanas

O corpo humano não contém 10 vezes mais bactérias do que células humanas, de acordo com novos cálculos.

Um “homem normal” que pesa 70 kg tem aproximadamente o mesmo número de bactérias e células humanas em seu corpo, de acordo com um trabalho publicado por pesquisadores no dia 06 de janeiro, na bioRxiv.org. Esse indivíduo em média seria composto por cerca de 40 trilhões de bactérias e 30 trilhões de células humanas, pelos cálculos dos pesquisadores do Instituto de Ciência Weizmann, em Rehovot, Israel, e do Hospital for Sick Children em Toronto. Esta é uma proporção de 1,3 bactérias para cada célula humana.

Entre cada indivíduo, a contagem de bactérias pode variar em até 52%, diz Ron Sender, Shai Fuchs e Ron Milo. Com um fator de correção de 10 trilhões a 20 trilhões de bactérias, o número de microrganismos pode muito bem corresponder ao número de células humanas no corpo, que também varia um pouco. “De fato, os números são semelhantes o suficiente para que a cada evacuação esse número possa inverter na relação e favorecer ao maior número de células humanas do que bactérias”, escrevem os pesquisadores.

Os cientistas que estudam o microbioma, o grupo de microrganismos que vivem dentro e sobre o corpo humano, tem produzidos trabalhos de pesquisa com uma estimativa de que as bactérias superam as células humanas de 10 para 1, ou mesmo, 100 para 1. Nos últimos anos, essas estimativas tem entrado em questão, com a Academia Americana de Microbiologia, sugerindo em 2013 que o número real é provavelmente mais perto de três células bacterianas para cada célula humana.

Pintura corporal por números

O corpo de um homem adulto, com estatura mediana, contém cerca de 30 trilhões de células humanas, a maioria delas são células vermelhas do sangue. Na imagem, estão demonstrados os tipos de células mais comuns. Traduzido de: Science News.

Judah Rosner, um biólogo molecular do Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais, nos EUA, chamou a taxa de 10 para 1 de um ​​”fato falso”, em uma edição da revista Microbe, em 2014. Provavelmente este número foi insinuado na literatura científica por soar bem, diz Rosner. “Todo mundo gosta de um bom número redondo e  este tinha tal impacto. Foi bom”. Mas Rosner e os outros se perguntam de onde o número tinha vindo em primeiro lugar.

Sender e Milo, no Instituto Weizmann e Fuchs, mas agora no Hospital for Sick Children, verificaram que as células vermelhas do sangue são as células mais numerosas no corpo, o que representa 84% das células no corpo, em número. Quanto ao peso, músculo e gordura são os “pesos pesados”, compondo 75% da massa celular. Mas as células tendem a ser grandes e representam apenas cerca de 0,2% do número de células do corpo humano. Como esperado, a maioria das bactérias no corpo – cerca de 39 trilhões – vivem no cólon.

As mulheres tendem a ter um volume de sangue menor do que os homens, assim, o índice de bactérias comparado com o de células pode ser cerca de 30% maior que o dos homens, de acordo com os pesquisadores. Crianças em crescimento provavelmente caem no índice da proporção de bactérias para o de células se comparados aos homens adultos. A obesidade não muda muito a relação, calcula a equipe.

Outros pesquisadores apontam que os cálculos do novo papel considera somente as bactérias, enquanto que os vírus, fungos, archaea e outros microrganismos também fazem parte do microbioma humano. Os vírus vastamente superam as bactérias e poderiam distorcer a proporção de células/microrganismos em humanos para cima, como diz Julie Segre, geneticista do Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano, e uma líder do projeto de microbioma da pele humana.

A maioria das pesquisas em microbioma focaram em como as quantidades relativas de bactérias mudam entre a saúde e a doença, mas os cientistas ainda não sabem se a quantidade absoluta de bactérias também é importante, diz o microbiologista Ran Blekhman, da Universidade de Minnesota.

A proporção reduzida em nada diminui o efeito que as bactérias têm na saúde humana, de acordo com comentaristas na Science News. A maioria disse que não importa qual é o número real, só que ele esteja certo. Além disso, “01 para 01 é bastante impressionante”, disse Rosner. “Há tanto deles como há em nós.”

Texto traduzido originalmente da revista Science News, por Vinicius de Oliveira Mussi.

Revisado por Igor Augusto G. Cunha.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF – Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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