Cocaína induz a autofagia neural

Os pesquisadores tem detalhado o mecanismo pelo qual altas doses de cocaína matam os neurônios: eles próprios canibalizam através do processo celular de autofagia.

Examinando o cérebro de camundongo após a administração de cocaína, o neurocientista Solomon Snyder, da Universidade Johns Hopkins, e seus colegas encontraram evidências de que a autofagia (processo no qual as células empacotam vários componentes celulares e detritos para dentro de vacúolos, que se fundem com os lisossomos cheios de enzimas para degradação) tinha ficado fora de controle em neurônios , assim como um trabalho anterior mostrou para astrócitos e microglia.

“A célula é como uma casa que está constantemente gerando lixo”, disse o co-autor, Prasun Guha, um pós-doc no laboratório de Snyder, em um comunicado de imprensa. “A autofagia é uma governanta que leva o lixo para fora, o que geralmente é uma coisa boa. Mas a cocaína faz com que a governanta jogue fora coisas realmente importantes, como as mitocôndrias, que produzem energia para a célula”. Guha e seus colegas publicaram seus resultados no dia 18 de janeiro, na revista PNAS.

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Neurônios de uma medula espinhal de camundongo. Fonte: FLICKR, NICHD/S. JEONG.

Os pesquisadores também demonstraram que bloqueando a autofagia, usando um composto chamado CGP3466B, ocorre a proteção dos neurônios contra a morte celular induzida por cocaína. “Desde que a cocaína trabalhe exclusivamente modulando a autofagia em relação a outros programas de morte celular, há uma maior chance de que possamos desenvolver novas terapias direcionadas para suprimir a sua toxicidade”, disse o co-autor do estudo, Maged Harraz, um pesquisador associado na Universidade Johns Hopkins.

Matéria traduzida originalmente da revista The Scientist, por Vinicius de Oliveira Mussi.

Revisado por Igor Augusto G. Cunha.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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