O estrogênio protege as mulheres da gripe… mas não os homens!

Cientistas descobriram que o estrogênio, hormônio sexual feminino, tem um efeito antiviral contra o vírus influenza A – também conhecido como o vírus da gripe -, o que poderia explicar porque os homens muitas vezes parecem ser mais afetados pelos sintomas quando infectados.

Quando uma equipe da Universidade Johns Hopkins expôs células nasais masculinas e femininas – que são mais gravemente afetadas pela influenza A – ao estrogênio e ao vírus da gripe, descobriram que o estrogênio desacelerou a replicação do vírus em células de mulheres, mas não nas dos homens.

Durante anos, os cientistas têm vindo reunindo provas da função protetora do estrogênio, com estudos anteriores descobrindo que o estradiol – um tipo de estrogênio – e vários produtos químicos estrogênicos têm efeitos anti-virais em vários vírus muito graves, incluindo o do HIV, da Hepatite C, do Ebola e  o Citomegalovírus humano (HCMV).

O mecanismo de proteção parece bloquear a capacidade destes vírus de se replicar em células humanas e, devido a replicação rápida ser a chave para a forma como o vírus  da influenza A é capaz de alcançar tais infecções agudas em seres humanos, a equipe da Universidade Johns Hopkins decidiu testar os efeitos de vários compostos do estrogênio neles.

Reunindo culturas de células epiteliais nasais humanas (hNEC) de 10 homens e 42 mulheres doadores, com idades entre 18 e 45 anos, a equipe as expôs a um tipo de estrogênio chamado 17β-estradiol endógeno (E2) e a uma classe de medicamentos chamados moduladores seletivos do receptor de estrogênio (SERMs), que são muitas vezes utilizados em tratamentos de terapia hormonal para ativar os receptores celulares que produzem efeitos semelhantes ao estrogênio.

Eles então infectaram essas culturas com um vírus sazonal da influenza A, para descobrir se a sinalização estrogênica iria afetar a forma como a infecção se espalharia e se os efeitos seriam diferentes entre as células masculinas e as femininas.

Esta situação pode ter uma explicação.
Esta situação pode ter uma explicação.

Os pesquisadores descobriram que, enquanto as drogas SERM e o estrogênio não se apresentaram muito eficazes contra o vírus quando introduzidos após as células serem infectadas, os SERMs e o estrogênio mostraram uma maior resistência contra o vírus da gripe quando injetados entre 24 e 72 horas antes da infecção.

Interessantemente, as células nasais do sexo feminino foram encontradas contendo muito menos vírus da gripe no final deste processo do que as células do sexo masculino, o que sugere que a atividade destes produtos químicos estrogênicos é dependente do sexo.

“Outros estudos têm mostrado que os estrogênios têm propriedades antivirais contra HIV, Ebola e vírus da hepatite”, disse a pesquisadora-chefe  Sabra Klein. “O que torna nosso estudo original são uma dupla de razões. Primeiro, realizamos nosso estudo utilizando células primárias diretamente isoladas de pacientes, o que nos permite identificar diretamente o efeito do estrogênio específico ao sexo.”

“Em segundo lugar,” ela disse, “este é o primeiro estudo a identificar o receptor de estrogênio responsável pelos efeitos antivirais dos estrogênios, trazendo-nos mais perto de compreender os mecanismos que estão mediando estes efeitos antivirais conservados dos estrogênios.”

Publicando seus resultados no American Journal of Physiology – Lung Cellular and Molecular Physiology (pré-impressão), Klein e sua equipe sugerem que os produtos químicos estrogênicos que eles usaram em seu estudo interagiram com uma estrutura de proteína chamada receptor de estrogênio beta nas células nasais do sexo feminino – um receptor que se liga a outras moléculas para desencadear uma resposta imune.

Uma melhor compreensão do mecanismo responsável pelas qualidades protetoras aparentes do estrogênio poderia ser a chave para reduzir a gravidade da gripe e sua capacidade de se espalhar entre as pessoas, de acordo com os próprios pesquisadores.

O próximo passo é estudar as flutuações dos níveis de estrogênio que ocorrem em mulheres na pré-menopausa e aquelas que receberam tipos específicos de controle de natalidade ou submetidas a tratamentos hormonais, para descobrir como manipular este efeito antiviral em futuros tratamentos médicos.

Matéria traduzida originalmente de Science Alert, por Vinicius de Oliveira Mussi.

Revisado por Igor Augusto G. Cunha.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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