Coloração de Ziehl-Neelsen

Você já deve ter se perguntado o porque de haver mais de uma técnica utilizada na rotina clínica laboratorial para a diferenciação de bactérias, mas você sabe o motivo?

Existem várias classes de bactérias espalhadas em nosso planeta, algumas são patogênicas e outras não. Elas possuem diferenças estruturais em sua parede celular e, por esse motivo, algumas são coradas por uma técnica específica, enquanto outras bactérias são coradas por outras técnicas, de acordo com a composição da sua parede celular.

A técnica de Ziehl-Neelsen foi desenvolvida por Franz Ziehl e posteriormente melhorada por Friedrich Neelsen, no final do século 19. Essa técnica de coloração é mais agressiva que a técnica de Gram, sendo usada em bactérias que são má coradas pela coloração de Gram, como por exemplo as bactérias do gênero Mycobacterium e Nocardia.

Existem bactérias que são resistentes à coloração, porém quando coradas, resistem fortemente à descoloração, mesmo quando submetidas a ácidos fortemente diluídos e ao álcool absoluto. Essas bactérias são denominadas de bacilos álcool-ácido-resistentes (BAAR).

A característica álcool-ácido-resistente é conferida a essas bactérias devido ao alto teor de lipídeos estruturais na parede celular, que causa uma grande hidrofobicidade, que dificulta a ação de corantes aquosos. Um exemplo de ácido graxo altamente presente na parede celular dessas bactérias é o ácido micólico.

Mycobacterium_tuberculosis_Ziehl-Neelsen_stain_02
Lâmina corada pela técnica de Ziehl-Neelsen. Em vermelho, podemos ver os bacilos de causadores da tuberculose, Mycobacterium tuberculosis. Fonte: Ziehl-Neelsen stain.

Na técnica de Ziehl-Neelsen, após o processo de coloração da amostra, a fucsina de Ziehl irá corar todos os elementos celulares de vermelho, porém após a descoloração com o álcool, somente os bacilos álcool-ácidos-resistente irão continuar preservando a cor vermelha, os demais elementos celulares na amostra serão descoradas. Então, para podermos visualizar os outros elementos celulares (descorados) na amostra, deve-se utilizar azul de metileno, que dará um contraste, deixando os elementos celulares em azul e os bacilos álcool-ácidos-resistentes continuarão em vermelho.

Procedimento para relização da técnica:

  • Fixar a lâmina com o calor;
  • Cobrir o esfregaço com fucsina fenicada;
  • Aquecer em chama até emitir vapores. A partir disto, iniciar a contagem de cinco minutos;
  • Lavar suavemente a lâmina em água;
  • Colocar álcool-ácido clorídrico, até que o corante não se desprenda mais (cerca de dois minutos);
  • Lavar a lâmina com água;
  • Cobrir o esfregaço com azul-de-metileno (durante trinta segundos);
  • Lavar a lâmina com água;
  • Deixar secar e observar ao microscópio com a objetiva de imersão.

Veja abaixo o vídeo ensinando a técnica de Ziehl-Neelsen, mas lembrando que o tempo em que o álcool-ácido clorídrico e o azul-de-metileno ficam na amostra pode variar de acordo com o protocolo estabelecido em cada laboratório:

 

Fonte: Unesp, Coloração de Ziehl-Neelsen (BAAR) – UFF, Embriologia e Histologia.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
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