Em breve seus ossos poderão curar-se muito melhor graças a um polímero nanoshell

Poderíamos um dia ter partes do corpo biônicas capazes de evitar doenças e lesões e até mesmo curar-se? Hoje isso ainda é coisa de filme de ficção científica, mas estão acontecendo avanços significativos no campo da ciência médica que sugerem que esse futuro pode ser possível um dia – um exemplo disso é um novo tratamento com nanoconchas, de uma equipe da Universidade de Michigan, nos EUA.

Em vez de usar células estranhas ou moléculas para consertar e regenerar o tecido ósseo danificado, a nova técnica utiliza polímeros de nanoconchas – cápsulas microscópicas no interior do corpo – para entregar moléculas de microRNA para o local correto de uma lesão. Uma vez que os reservatórios comecem a quebrar, as moléculas de microRNA são liberadas e instruem as células circundantes a “ligar” sua construção óssea natural e mecanismos de cura.

Existem duas vantagens importantes nesta nova técnica. A primeira delas é que o reservatório é criado para se degradar lentamente, levando a uma liberação gradual das moléculas de microRNA ao tratamento restaurador, assim, numa constante que pode durar um mês ou mais. A segunda vantagem é que o processo usa as células do próprio corpo, em vez da introdução de agentes de cura externa – uma abordagem que pode, por vezes, causar a rejeição de células ou mesmo tumores associados com a lesão.

Isto é importante, porque teoricamente nossos ossos tem todos os ingredientes necessários para se manterem saudáveis e fortes,  mas este processo de cura nem sempre acontece, uma vez que poderia levar a lesão permanente, cáries dentárias, ou a osteoporose. Através do envio de microRNA para assumir a gestão do processo, os pesquisadores estão esperançosos para confirmar se os reparos estão acontecendo e sendo completados.

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Além do mais, estas nanoconchas especiais fazem com que seja mais fácil do que o normal para que o microRNA quebre as paredes das células e comece a agir. “A nova tecnologia em que estamos trabalhando abre portas para novas terapias que utilizam DNA e RNA na medicina regenerativa e aumenta a possibilidade de lidar com outras doenças humanas desafiadoras”, disse o pesquisador Peter Ma.

Embora a técnica só tenha sido testada em camundongos até agora, é esperado que a mesma abordagem funcione em seres humanos. Esta será a próxima etapa da pesquisa. Eventualmente, este tratamento de auto-cura pode ser usado em pacientes à espera de cirurgia óssea ou reparação conjunta, ou mesmo naqueles com cáries dentárias (o próprio Ma é um professor de odontologia).

O crescimento e a regeneração dos ossos com alta qualidade para usos específicos continua a ser um processo desafiador, o que torna as novas descobertas da Universidade de Michigan muito promissoras. Os camundongos utilizados nos ensaios foram sofrendo de condições osteoporóticas, e considerando que um número estimado de 75 milhões de pessoas são portadoras de osteoporose na Europa, nos EUA e no Japão, serão milhares de vidas que poderiam ser mudadas para melhor. O trabalho do grupo foi publicado recentemente na revista Nature Communications.

Matéria traduzida originalmente de Science Alert, por Vinicius de Oliveira Mussi.

Revisado por Igor Augusto G. Cunha.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
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