Mais evidências da transmissão do Alzheimer

No último mês de setembro, uma equipe liderada por pesquisadores do Instituto de Neurologia da University College London descobriu evidências de acumulação de uma quantidade moderada a severa de peptídeos β-amilóides no cérebro de pacientes com a doença de Creutzfeldt-Jakob (CJD). Os pacientes tinham adquirido DCJ após o tratamento com hormônios do crescimento derivados de cadáveres que foram aparentemente contaminados com príons, e os resultados sugerem que a doença de Alzheimer pode ser transmissível.

Agora, pesquisadores da Suíça e Áustria relatam resultados semelhantes nos cérebros de cinco dos sete pacientes falecidos com CJD que receberam enxertos cirúrgicos de dura-máter, também preparados a partir de cadáveres humanos contaminados com príons CJD.

Especificamente, os pesquisadores descobriram placas de β-amilóide na matéria cinzenta e nos vasos sanguíneos desses cinco pacientes falecidos, com idade entre 28 e 63 anos – jovens demais para que essas placas fossem normais. Vinte e um pacientes controles falecidos com CJD que não tiveram enxertos cirúrgicos derivados de cadáveres não mostraram nenhuma acumulação de amilóide. A equipe publicou os seus resultados no dia 26 de janeiro na Swiss Medical Weekly.

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Depósitos de proteína β-amilóide (castanho) no córtex frontal de pacientes que desenvolveram CJD após a cirurgia. Fonte: Nature.

“Nossos resultados são consistentes”, o neurologista John Collinge, um co-autor do estudo de 2015, disse à Nature. “O fato de que o novo estudo mostra a mesma patologia emergente após um procedimento completamente diferente aumenta a nossa preocupação.”

No entanto, “nada está provado ainda” em termos de como os pacientes falecidos com CJD desenvolveram os sinais de patologia β-amiloide, acrescentou Pierluigi Nicotera, chefe do Centro Alemão de Doenças Neurodegenerativas em Bonn. “Nós precisamos de estudos mais sistemáticos em organismos modelo para descobrirmos se a hipótese de semeadura da doença de Alzheimer é correta”.

Matéria traduzida originalmente de The Scientist, por Vinicius de Oliveira Mussi.

Revisado por Igor Augusto G. Cunha.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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