Como os seres humanos poderiam evoluir para sobreviver no espaço

Em busca de melhores oportunidades de vida, nossos ancestrais primitivos, encontravam meios de subsistência, fazendo trajetos perigosos e desconhecidos. Não mudou muito nos dias atuais, nós temos o sangue nômade correndo por nossas veias, entretanto nosso desejo de explorar diminui a cada dia, pois o perigo não é mais constante. Estamos despreparados para longas viagens, e nesta incluo a viagem ao espaço. Por quanto tempo viveríamos em um deserto exuberante? Cerca de algumas semanas? Esta é uma quantidade razoável? Ou seria bem melhor, se pudéssemos sobreviver lá por meses? Isso é muito bom não acham?

Esses são os questionamentos que enfrentaríamos em um planeta como Marte. Como é que nós nos empenharemos para viagens cujos destinos são tão distantes de “férias tropicais”? Será que vamos continuamente enviar suprimentos a partir do planeta Terra? Como podemos fazer crescer alimentos no espaço?

A partir de experiências dos astronautas no espaço, sabemos que o mais longo período de tempo que qualquer ser humano passou no espaço foi cerca de 12 a 14 meses. Com esta experiência descobrimos que permanecer em um ambiente de microgravidade traz perda óssea, atrofia muscular, problemas cardiovasculares, entre muitas outras complicações que vão do fisiológico ao psicológico.

Há muitos perigos em viagens cósmicas. A tecnologia tem nos deixado ciente de acontecimentos, para garantir nossa passagem segura pelo espaço. Um campo de estudo que pode nos auxiliar nisto é a biologia sintética, que tem nos permitido trabalhar com as habilidades de microrganismos. Ela vem da biologia molecular, que nos deu antibióticos, vacinas e melhores maneiras de observar as nuances fisiológicas do corpo humano. Usando as ferramentas da biologia sintética, podemos agora editar os genes de quase qualquer organismo, microscópico ou não, com uma velocidade incrível e com fidelidade. Dadas as limitações das máquinas feitas pelo homem, a biologia sintética será um meio para que possamos não apenas projetar a nossa comida, nosso combustível e nosso meio ambiente, mas também a nós mesmos para compensar as nossas insuficiências físicas e assegurar a nossa sobrevivência no espaço.

Uma das melhores maneiras de garantir que teremos o abastecimento de alimentos e o ar que precisamos, é levar conosco organismos que têm sido adaptados a ambientes novos e agressivos. Usando organismos manipulados para nos ajudar na ida a um outro planeta, tanto por curto ou longo prazo.

Os astronautas Shane Kimbrough e Sandra Magnus a bordo do Ônibus Espacial Endeavour. Estar no espaço parece ser divertido... Fonte: http://www.telegraph.co.uk/news/science/picture-galleries/3497580/Photographs-from-on-board-the-International-Space-Station-and-Space-Shuttle-Endeavour.html?image=7
Os astronautas Shane Kimbrough e Sandra Magnus a bordo do Ônibus Espacial Endeavour. Estar no espaço parece ser divertido… Fonte: The Telegraph

Assim, podemos usar a biologia sintética para levar plantas altamente projetadas conosco, mas nós não fomos desenvolvidos para vivermos fora do Planeta Terra. Então só isto não adianta. O que mais podemos fazer? Ora, se fôssemos para Marte neste exato minuto, mesmo tendo em conta comida, água, ar e roupas adequadas, estamos propensos a ter problemas de saúde muito desagradáveis por causa da quantidade de radiação ionizante que bombardeia a superfície de planetas como Marte, que têm atmosfera pequena ou inexistente.

Por mais difícil que seja, o homo sapiens, evolui a cada dia. Todos os dias, o corpo humano evolui através de mutações acidentais que, também acidentalmente, permitem que certos humanos perseverem em situações sombrias.

Na luta da nossa espécie para encontrar nosso lugar no universo, pode ser que não tenhamos o tempo necessário para a evolução natural das funções extras para a sobrevivência em planetas não-terrestres. Nós estamos vivendo no que E.O. Wilson chamou de “a era da evasão de gene” (em tradução literal do inglês), na qual seria possível corrigir nossos defeitos genéticos como a fibrose cística ou distrofia muscular com suplementos externos temporários. Mas a cada dia que passa, nos aproximamos da idade da evolução volitiva, um tempo durante o qual nós, como uma espécie, teremos a capacidade de decidir por nós mesmos o nosso próprio destino genético. Aumentar o corpo humano com novas habilidades não é mais um questão de como, mas de quando.

Como usaremos nosso conhecimento para nos proteger dos perigos externos e, em seguida, nos proteger de nós mesmos? Perguntas como estas não são para gerar o medo à ciência, mas para trazer à luz as muitas possibilidades que a ciência proporcionou e continua a nos proporcionar. Devemos discutir e abraçar as soluções não só com cautela, mas também com coragem.

“Marte é um destino, mas não vai ser o último destino. Nossa verdadeira fronteira final é a linha que devemos atravessar para decidir o que podemos e devemos fazer da inteligência improvável de nossa espécie. O espaço é frio, brutal e implacável. O nosso caminho para as estrelas será repleta de ensaios que nos levarão a questionar não só o que somos, mas onde estaremos indo. As respostas encontram-se na nossa escolha de usar ou abandonar a tecnologia que temos adquirido a partir da própria vida, e ele irá definir-nos para o resto da nossa vida neste universo.” – Lisa Nip.

Texto baseado na palestra de Lisa Nip, originalmente publicada no TED, escrito por Isabelle Silva Paravidino, graduanda em Serviço Social.

Revisado por Igor Augusto G. Cunha.

 

Fonte:

 

 

 

Isabelle Paravidino

Isabelle Paravidino

Estudante de Serviço Social na UFF - Universidade Federal Fluminense. Tem um grande interesse em ciências, que vai além do âmbito social.
Isabelle Paravidino

Últimos posts por Isabelle Paravidino (exibir todos)

Isabelle Paravidino

Estudante de Serviço Social na UFF - Universidade Federal Fluminense. Tem um grande interesse em ciências, que vai além do âmbito social.

%d blogueiros gostam disto: