Autofagia

Vocês sabem o que é autofagia, ou já ouviram falar e nem se lembram mais? Então vocês não podem deixar de ler esse texto!

A autofagia é uma palavra de origem grega, cujo significado é “comer a si mesmo” (auto = eu, próprio; e fagia = comer), esse processo é como se fosse uma auto-canibalização.

Para que as células sobrevivam adequadamente, é preciso a manutenção da homeostase (estado de equilíbrio do organismo), e um dos recursos utilizados para isso é a autofagia. A autofagia refere-se a uma via de degradação lisossômica (ou seja, executada por organelas chamadas lisossomos) que é essencial para a sobrevivência, desenvolvimento, diferenciação e homeostase.

slide_28
Ilustração do mecanismo de ação dos lisossomos, que são bolsas membranosas que contêm enzimas capazes de digerir substâncias orgânicas que são enviadas para o Complexo de Golgi, onde são empacotadas e liberadas na forma de pequenas bolsas. Fonte: Só Biologia.

As células de todos os seres vivos realizam o processo de autofagia em diversas circunstâncias, como por exemplo, quando há um acúmulo de grandes agregados proteicos e de organelas defeituosas, ou então, em situações de estresse, como escassez de alimento, infecções, temperaturas muito elevadas e pouco oxigênio.

A autofagia é uma via catabólica muito importante que degrada componentes celulares do lisossoma, onde as organelas celulares que já não se encontram em estado funcional são abrangidas por uma membrana, e posteriormente decompostas. Existem três vias principais de degradação, sendo elas: macroautofagia, microautofagia e autofagia mediada por chaperonas.

Na macroautofagia, que ocorre desde os procariotos até aos mamíferos,  o processo é iniciado pela formação de uma membrana em torno de proteínas e organelas, chamada de fagóforo. Essa estrutura pode ser originada a partir da membrana citoplasmática, do retículo endoplasmático ou até mesmo pela membrana mitocondrial externa. A fusão das extremidades do fagóforo origina uma estrutura fechada com dupla membrana, chamada de autofagossoma. A membrana exterior do autofagossoma funde-se com um lisossoma, originando o autolisossoma. O seu conteúdo, é posteriormente degradado por enzimas lisossomais.

A microautofagia, é uma via conservada desde as leveduras até os mamíferos, onde os componentes citosólicos são incorporados diretamente nos lisossomas através da invaginação da membrana lisossomal.

Já na autofagia mediada por chaperonas, que ocorre somente em mamíferos, a mediação é feita por chaperonas específicas que permitem  translocação de determinadas proteínas para o lúmen lisossomal através da membrana, por interação com o receptor LAMP-2, resultando no desenrolamento das proteínas e a sua degradação.

Referências bibliográficas:

GIORGIO, Selma. Autofagia celular em processos patológicos. Semina: Ciências Biológicas e da Saúde, v. 35, n. 1, p. 125-136, 2014.

 SILVA, Filipa Alexandra Almeida. Autofagia. 2013. Tese de Doutorado. [sn].

SUKUMARAN, Pramod et al. Functional role of TRP channels in modulating ER stress and Autophagy. Cell Calcium, 2016.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF – Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

%d blogueiros gostam disto: