Cientistas usam proteína-bloqueadora para impedir a propagação da leucemia

A leucemia mieloide aguda (LMA) é um dos tipos mais agressivos e prejudiciais de câncer existentes: ela aparece sem muito aviso e a taxa de sobrevivência em cinco anos para quem sofre  desse câncer é de apenas 24%. No entanto, melhores tratamentos podem em breve estar a caminho, graças à pesquisadores do Walter and Eliza Hall Institute, em Melbourne,  na Austrália, que identificaram uma proteína que é crucial para a propagação do câncer de sangue.

A proteína em questão é chamada de proteína Hhex. A equipe mostrou que o câncer pode ser parado se a sua produção for interrompida – em condições laboratoriais, pelo menos. O próximo passo é ver se o mesmo mecanismo de “freio de mão” irá funcionar em seres humanos, mas os sinais iniciais são promissores.

Os pesquisadores descobriram que quando o fornecimento de Hhex foi cortado, a leucemia parou de se espalhar incontrolavelmente. Além do mais, a proteína não é necessária em células sanguíneas saudáveis, o que abre as portas para tratamentos que visam a Hhex especificamente sem os efeitos colaterais indesejados e, normalmente, muito prejudiciais que vêm com os tratamentos de leucemia mieloide aguda (LMA) existentes.

“A maioria dos tratamentos existentes para a LMA não são específicos de células do câncer e, infelizmente, matam as células saudáveis no processo”, disse um dos pesquisadores, Matt McCormack . “A Hhex é apenas essencial para as células leucêmicas, o que significa que poderiamos atingir e tratar a leucemia sem efeitos tóxicos sobre as células normais, evitando muitos dos efeitos secundários graves que vêm com os tratamentos padrões de câncer.”

Matt McCormack and Ben Shields for a media release
Dr. Ben Shields (esquerda) e Dr. Matt McCormack foram capaz de eliminar completamente a LMA em modelos pré-clínicos bloqueando a proteína Hhex. Fonte: Walter and Eliza Hall Institute of Medical Research.

Enquanto o corpo tem um mecanismo de auto-defesa para desligar o “estresse”  das células e impedi-las de se multiplicar – células que podem, eventualmente, se tornar cancerígenas – a proteína Hhex desativa este mecanismo e, portanto, permite que as células danificadas se espalhem. Se os cientistas forem capazes de remover a Hhex, os procedimentos normais de segurança presentes no corpo podem ser restaurados e a propagação do câncer, como a LMA, pode ser verificado.

“A Hhex regula apenas um pequeno número de genes e é dispensável para células sanguíneas normais,” diz McCormack . “Isto dá-nos uma rara oportunidade para matar as células de AML sem causar muitos efeitos colaterais. Esperamos agora identificar as regiões críticas da proteína Hhex que asseguram o seu funcionamento, o que nos permitirá projetar novos medicamentos muito necessários para tratar a LMA . “

Agora que os cientistas sabem como as células de LMA crescem descontroladamente, eles podem fazer algo quanto a isso. E, apesar uma droga publicamente disponível pode estar um pouco distante, ela poderia salvar pacientes da dor e do sofrimento associados com os tratamentos existentes, bem como melhorar o seu prognóstico a longo prazo, ao mesmo tempo. A pesquisa foi publicada na revista Genes & Development .

Texto traduzido da revista Science Alert, por Vinicius de Oliveira Mussi.

Revisado por Igor Augusto G. Cunha.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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