Técnica de terapia gênica com mitocôndrias causa polêmica

U.S. Food and Drug Administration (FDA) deve aprovar ensaios clínicos para a transferência de DNA a partir de óvulos humanos saudáveis para embriões doentes.

A controversa técnica de terapia genética envolve substituir as mitocôndrias de um embrião por mitocôndrias saudáveis do óvulo de uma segunda mulher. O objetivo da técnica é evitar a transmissão de doenças causadas por mutações no DNA mitocondrial. Mas as preocupações quanto a segurança da substituição mitocondrial e as implicações psicológicas e sociais de crianças com três pais biológicos, fizeram com que as autoridades reguladoras impusessem uma pausa.

B63D1401-357D-4EAE-80B8A34336EFB72A
O objetivo da técnica é evitar a transmissão de doenças causadas por mutações no DNA mitocondrial. Crédito: ©iStock.

No seu relatório, a Academia Nacional de Medicina dos Estados Unidados sugere limitar os testes da técnica a embriões masculinos, como uma precaução de segurança. A prole masculina não seria capaz de passar as suas mitocôndrias modificadas para as gerações futuras, porque uma criança herda todas as mitocôndrias de sua mãe.

O relatório também descreve vários passos adicionais para monitorar a segurança da substituição mitocondrial. Estes incluem o acompanhamento das crianças criadas pela técnica durante anos e o compartilhamento dos dados resultantes em sua saúde.

Se a substituição mitocondrial for comprovadamente segura na descendência masculina, poderia ser expandida para embriões do sexo feminino, disse o grupo consultivo.

A abordagem está em contraste com a do Reino Unido, que no ano passado aprovou a substituição mitocondrial sem restrições sobre o sexo de um embrião modificado.

As barreiras para a pesquisa continuam 

Para Shoukhrat Mitalopov, um biólogo especialista em reprodução da Oregon Health Sciences University, em Portland, a recomendação do painel consultivo é uma vitória oca. Apesar dos investimentos, no ano de 2016 houveram cortes financeiros que impediram a FDA de aprovar quaisquer aplicações para implantar embriões humanos modificados em mulheres.

“É uma boa notícia, mas o futuro parece muito nebuloso em comparação com alguns meses atrás”, diz Mitalipov, dadas as restrições incluídas na conta de gastos. Ainda assim, seu laboratório está começando a produzir macacos tratados com a reposição mitocondrial, na esperança de compreender como essa modificação genética pode afetar as gerações seguintes da prole.

Outros discordam com as conclusões da Academia Nacional de Medicina. O novo relatório “realizou todas as preocupações e chegou à conclusão de que as coisas devem ir para a frente, apesar de todas as preocupações”, diz Marcy Darnovsky, presidente de uma instituição sem fins lucrativos chamada Centro para a Genética e Sociedade, em Berkeley, Califórnia, que se opôs a substituição mitocondrial nos seres humanos devido a segurança e às razões éticas.

Darnovsky diz que gostaria de ver um acordo internacional e uma legislação para proibir técnicas de edição de genomas nucleares em embriões. “Gostaria de ter mais fé neste argumento, se esta tecnologia não fosse abrir o caminho para outras em matéria de formas de edição da linha germinativa”, diz ela.

Texto traduzido da revista Scientific Americanpor Vinicius de Oliveira Mussi.

Revisado por Igor Augusto G. Cunha.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

%d blogueiros gostam disto: