Nova super arma contra o câncer vem surgindo pela bioengenharia

Apesar dos avanços no tratamento do câncer, onde muitos pacientes são totalmente curados, ainda existem vários tipos da doença cujo tratamento não é muito eficaz. Seja por sua agressividade ou pela resistência, a questão é que o câncer é como um supervilão dos quadrinhos: é inteligente, adaptável e muito bom em permanecer vivo. E um detalhe: assim como muitos dos supervilões, seus superpoderes surgem de uma mutação genética.

Já foi demonstrado que em alguns tipos de câncer, a célula cancerígena pode escapar do tratamento, literalmente, cuspindo o medicamento que recebeu para fora, antes mesmo que ele faça efeito. Este truque é permitido por um gene mutante. Portanto, nestes casos, o tratamento medicamentoso não é eficaz.

Mas como todo supervilão, este também tem um ponto fraco. E a nossa arma secreta pode ser um conjunto de moléculas conhecidas como siRNA, que nada mais são do que pequenas sequências de código genético que guiam uma célula para bloquear um certo gene. Elas podem desligar um gene específico da célula, então poderiam servir para bloquear o gene responsável pelo truque de expulsar o medicamento do interior celular.

Mas o siRNA não pode ser administrado sozinho, porque ele seria facilmente degradado por enzimas. Portanto, ele deve ser combinado com outros componentes… É como um “cavalo-de-Tróia” para a célula cancerígena, veja:

A superarma contra o câncer! Fonte: Traduzido de TED.
A super arma contra o câncer! Fonte: Traduzido de TED.

Esta super arma poderia ser injetada na corrente sanguínea e seria absorvida pela célula cancerígena, graças à sua camada externa de polissacarídeo hidratado, que funcionaria como uma “capa da invisibilidade” perante  o organismo. No interior da célula, as duas camadas mais externas seriam desfeitas e a camada de siRNA agiria sobre o genoma da célula, desativando genes específicos (como os que fazem a célula “cuspir” o medicamento), o que permitiria a ação do fármaco que está no núcleo da super arma, destruindo a célula de câncer.

Este modelo já não é ficção: está sendo testado em ratos e os resultados têm sido excelentes!

Abaixo você pode conferir a apresentação feita pela pesquisadora Paula Hammond no TED, onde ela descreve com mais detalhes este incrível projeto de sua equipe:

É difícil não se empolgar com este projeto, não é mesmo? Ainda mais entendendo os motivos que têm motivado a equipe de pesquisadores e ouvindo deles mesmo o seu trabalho. É este tipo de experiência que o TED nos proporciona!

Fonte: TED

Igor Cunha

Biomédico, formado pela Faculdade do Espírito Santo - UNES, Mestre em Biociências e Biotecnologia na UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

Igor Cunha

Biomédico, formado pela Faculdade do Espírito Santo - UNES, Mestre em Biociências e Biotecnologia na UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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