Cientistas resolvem paradoxo dos espermatozoides gigantes

Quando se trata de reprodução, a sabedoria popular tem dito por muito tempo que “espermatozoides são abundantes e baratos, mas que os óvulos são raros e caros”. Mas a mosca da fruta Drosophila bifurca produz espermatozoides que possuem 2,4 polegadas de comprimento, ou cerca de 20 vezes o tamanho do corpo do inseto macho.

Como o The Atlantic observou: “Se um homem produzisse espermatozoides tão grandes, poderiam esticá-lo em diagonal numa quadra de basquete.” Acontece que, no caso das moscas, os longos espermatozoides de diferentes machos competem para fertilizar os ovos da fêmea por uma forma de seleção sexual pós-cópula, disse Scott Pitnick e seus colegas, da Universidade de Syracuse, em Nova York, à revista Nature.

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Fêmeas de moscas Drosophila bifurca têm um órgão para armazenar o esperma (à direita) pelo qual moscas machos competem para preencher, expulsando os rivais. Créditos: Scott Pitnick / natureza.

Para resolver o misterioso motivo dos espermatozoides das moscas serem tão grandes, Pitnick e seus colegas analisaram as formas de ornamentos masculinos em outros animais, incluindo chifres de veado, chifres de besouros e penas de pavão. Todos eles são insignificantes em comparação com o esperma da D. bifurca , que crescem 5,5 vezes mais rápido do que os corpos das moscas macho. “Os biólogos não pensam sobre estes gametas gigantescos como armas ou ornamentos, mas eles os são”, disse Pitnick para o The Atlantic.

Ao analisar a evolução desse espermatozoide e do aparelho reprodutor labiríntico da mosca fêmea (que, no caso da D. bifurca, tem mais de três polegadas de comprimento), a equipe de Pitnick foi capaz de mostrar que o órgão feminino evoluiu para favorecer o espermatozoide fazendo-lhe um tipo de seleção sexual, embora a fêmea não tenha “escolha”. Como as fêmeas desta espécie acasalam com muitos machos, aqueles que produzirem a maior quantidade destes espermatozoide gigantes, têm maior aptidão.

“A biologia é muito diferente e não houve nenhuma boa explicação ou mesmo tentativa para explicá-la”, disse Tim Karr para a Shots NPR, um professor visitante no Instituto de Tecnologia de Kyoto, no Japão, que não estava envolvido no estudo. “Eu acho que este artigo irá desencadear uma enorme quantidade de conversas e pesquisas adicionais”.

Texto traduzido da revista The Scientist, por Vinicius de Oliveira Mussi.

Revisado por Igor Augusto G. Cunha.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF – Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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