Novo dispositivo para tratar o câncer de pâncreas é revolucionário

Provavelmente você já ouviu falar de alguém que desenvolveu um câncer de pâncreas, mas cuja história não teve um final feliz… Há alguns anos, o prestigiado CEO da Apple, Steve Jobs, morreu devido a este tipo de câncer. Ele é um, entre milhares, que buscou o tratamento, mas descobriu que a chance de cura para este tipo de câncer é baixa…

Mas se hoje em dia existem vários tratamentos eficazes para tantas modalidades diferentes de câncer, porque a tava de recuperação dos pacientes com câncer pancreático é baixa?

As drogas usadas no tratamento quimioterápico são injetadas na corrente sanguínea e se espalham por todo o corpo, seguindo a quilométrica rede de vasos existente. Entretanto, os tumores pancreáticos são pouco vascularizados, então as drogas não chegam em quantidade suficiente no local. Além disso, o pâncreas fica atrás de outros órgãos, sendo de difícil acesso para uma cirurgia. O fato de ficar próximo de órgãos importantes facilita a expansão do câncer para outros órgãos também.

Portanto, as formas tradicionais de tratamento não funcionam muito bem para um câncer no pâncreas.

Mas a empresária biomédica Laura Indolfi, bolsista TED, está trabalhando em uma forma revolucionária de tratar essa doença letal: um dispositivo flexível para a liberação de fármacos ao redor do tumor.

Esse dispositivo, que parece um disco de silicone, do tamanho de um biscoito (ou de uma bolacha), pode ser colocado diretamente sobre o tumor utilizando-se um catéter, em uma cirurgia minimamente invasiva. Isto resolve a questão do “difícil acesso”.

Devido ao seu formato, o disco pode recobrir o tumor e funcionar como uma gaiola, minimizando a chace do tumor se espalhar para órgãos vizinhos. Outra ponto positivo.

Por estar carregado de drogas quimioterápicas, o dispositivo vai matando o tumor à medida que se decompõe (ele é biodegradável, portanto não precisará ser retirado depois). Como é administrado direto no tumor, o efeito da droga testada nos testes pré-clínicos não causou tanta toxicidade sistêmica e teve sua resposta potencializada em 12 vezes!

Os testes pré-clínicos estão terminando e em breve a pesquisadora espera ter autorização para iniciar os testes com pacientes humanos.

“Ao repensar a forma de administrar a droga”, disse Laura, “não só a tornamos mais forte e menos tóxica, mas também abrimos as portas à busca de soluções mais inovadoras para quase todos os outros problemas impossíveis para pacientes com câncer pancreático e além.”

Abaixo você pode assistir a apresentação da pesquisadora no TED, onde explica em detalhes o funcionamento da nova metodologia:

Igor Cunha

Biomédico, formado pela Faculdade do Espírito Santo - UNES, Mestre em Biociências e Biotecnologia na UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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