Células tumorais poderão ser usadas para combater o câncer

Cinco anos atrás, os cientistas do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova York, mostraram que as células tumorais circulantes (CTCs) poderiam colonizar novas metástases e viajar de volta para os seus tumores de origem. Aproveitando-se deste movimento das CTCs bidirecionais, pesquisadores da Universidade do Novo México e seus colegas injetaram em camundongos CTCs que foram geneticamente modificadas para expressar uma citocina anti-cancerígena. Em um estudo com camundongos, os pesquisadores descobriram que essas CTCs geneticamente modificadas foram capazes de voltar para os tumores e liberar citocinas, levando à diminuição do crescimento do tumor. Os resultados foram publicados na revista PNAS, sugerindo que as células cancerígenas podem ser ferramentas úteis para terapias anti-câncer.

Wadih Arap e Renata Pasqualini, da Universidade do Novo México, juntamente com os seus colegas, desenvolveram células tumorais murinas derivadas de três tipos de tumor – melanoma, pulmão e adenocarcinoma mamário – para expressar e liberar o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α). Ele é uma citocina liberada para danificar a vasculatura tumoral, além de ter outras ações anti-câncer. “[O TNF-α] é extremamente potente como um agente anti-cancerígeno, mas também extremamente tóxico, o que o torna uma carga perfeita para usar como um agente marcado,” disse Pasqualini ao The Scientist. “Quando administrado apenas localmente, a eficácia é aumentada e a toxicidade diminui.”

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Esquema do processo de auto-direcionamento das células de tumor. Créditos: UNIVERSITY OF TEXAS MD ANDERSON CANCER CENTER, ELEONORA DONDOSSOLA.

Quando qualquer um dos três tipos de CTCs expressando TNF-α foi injetado em camundongos imunocompetentes com adenocarcinoma mamário implantado, as taxas de crescimento dos tumores foram reduzidos. Desafiando os camundongos que tinham as células de tumor que expressavam TNF-α na circulação com células tumorais adicionais, células tumorais iniciadoras do câncer apareceram para prevenir a formação de tumores, sugerindo que as CTC geneticamente modificadas ajudaram a proteger os camundongos contra novos tumores. Os pesquisadores também observaram que as CTCs expressando TNF-α não se propagaram in vivo. “As células que estão produzindo TNF eventualmente morrem, por isso não estamos injetando células susceptíveis a ‘sair pela culatra’ “, que poderiam alimentar o crescimento do câncer, disse Pasqualini. “Elas estão cercados por TNF-α , uma armadilha, por assim dizer.”

Quando injetadas em camundongos com tumores primários correspondentes, cada uma das três linhas de CTCs expressando TNF-α resultaram na inibição do crescimento do tumor de 50% a 65%, de acordo com os pesquisadores. Foi observado também que injetando as CTCs geneticamente modificadas na corrente sanguínea elas se mostraram mais eficazes do que na administração subcutânea.

Para testar se as CTCs geneticamente modificadas podem afetar a metástase, os pesquisadores primeiro injetaram células tumorais padrão em camundongos com tumores primários crescentes. As CTCs normais formaram metástases no pulmão, mas quando foram injetados as CTCs geneticamente modificadas nos camundongos com tumores metastáticos, os pesquisadores observaram menos colônias metastáticas formadas do que nos animais de controle.

“Enquanto muitos cientistas estão tentando projetar agentes de entrega de nanopartículas para levar drogas seletivamente aos tumores, [os autores] têm se aproveitado da capacidade inerente de certas células tumorais”, agindo como um “cavalo-de-tróia”, disse Bruce Zetter, que estuda os mecanismos de progressão do tumor na Universidade de Harvard e não estava envolvido no trabalho. “É interessante as células tumorais serem capazes de encontrar os seus homólogos, tanto no local primário quanto em locais de tumores secundários”.

Usar o TNF-α como uma “ogiva foi uma boa primeira escolha, escreveu Zetter. “O TNFα provavelmente está funcionando aqui principalmente como um agente anti-vascular… Pode-se imaginar que outros irão utilizar muitos tipos diferentes de agentes com o tempo.
O desafio agora será garantir que as CTCs geneticamente modificadas não contribuam para a metástase.

Texto traduzido de The Scientist, por Vinicius de Oliveira Mussi.

Revisado por Igor Augusto G. Cunha

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF – Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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