Remover as células velhas fez com que ratos vivessem mais tempo

Remover as células desgastadas ou “senescentes” aumentou o tempo de vida médio dos camundongos de 24 a 27% em relação ao de roedores cuja as células senescentes se acumularam normalmente com a idade, de acordo com a publicação dos pesquisadores da Mayo Clinic na revista Nature. A limpeza de células senescentes também melhorou a função cardíaca e renal.

Se os mesmo resultados fossem obtidos em pessoas, eles poderiam conduzir a uma maneira inteiramente nova de tratar o envelhecimento, de acordo com o pesquisador de câncer e gerontologista Norman Sharpless, da University of North Carolina School of Medicine, nos EUA. Mas o tratamento contra o envelhecimento exigiria que as pessoas tomassem um medicamento durante décadas. Destruir periodicamente as células senescentes pode temporariamente voltar o relógio e melhorar a saúde das pessoas que já estão envelhecendo, diz ele. “Se este artigo estiver certo, eu acredito que será um dos mais importantes artigos sobre o envelhecimento”, disse Sharpless.

As células senescentes são aquelas que deixaram de se dividir e fazer os seus trabalhos habituais. Mas elas continuam se mantendo firmes, porém produzindo produtos químicos inflamatórios que podem danificar os tecidos circundantes e promover ainda mais o envelhecimento. “Elas são células-zumbis”, disse Steven Austad, um biogerontologista da Universidade de Alabama, na Inglaterra. “Elas se tornaram obsoletas. Elas são ruins.”

O biólogo especializado em câncer Jan van Deursen e seus colegas, da Mayo Clinic, em Rochester – EUA,  elaboraram uma estratégia para a eliminação dessas células senescentes, fazendo com que as células cometessem suicídio. Os pesquisadores haviam descoberto anteriormente que uma proteína chamada p16 se acumula nas células senescentes. A equipe ligou um gene no DNA para uma proteína que faz com que as células se matem, o que ajuda a começar a produção da p16, de modo em que sempre que a p16 for produzida, a proteína suicida também será.

A proteína do suicídio precisa de um produto químico parceiro para realmente matar as células, no entanto, uma vez que os camundongos estavam com um ano de idade – 40 a 60 anos em termos humanos – os pesquisadores começaram a injetar o produto químico parceiro. Os camundongos receberam injeções a cada três dias por seis meses. Os que receberam o coquetel de células-suicidas foram comparados com camundongos geneticamente modificados em que foram injetado um placebo.

As células senescentes eram mais facilmente mortas em alguns órgãos do que em outros, como descobriram os pesquisadores. Células senescentes do cólon e do fígado não foram mortas, por exemplo. Mas os declínios relacionadas com a idade na função dos órgãos em que o tratamento funcionou foram desacelerados – como nos olhos, no tecido adiposo, coração e rins.

Engenharia genética e injeções regulares não seriam viáveis no uso em pessoas, mas várias empresas estão desenvolvendo drogas que podem limpar as células zumbis de seres humanos, disse Austad. Alguns efeitos colaterais ao tratamento em camundongos também devem ser considerados quanto a viabilidade do uso dessas drogas em pessoas. Tem sido demonstrado que as células senescentes são necessárias para a cura de feridas, e camundongos que receberam o coquetel de morte não poderiam reparar feridas, bem como aqueles que não receberam o tratamento. Uma vez interrompido o tratamento, os camundongos foram capazes de se curarem normalmente. Este resultado sugere que as pessoas submetidas à terapia com células senescentes podem ter de interromper temporariamente o tratamento para curar feridas de cirurgia ou acidentes.

Texto traduzido de Science News, por Vinicius de Oliveira Mussi.

Revisado por Igor Augusto G. Cunha

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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