Cientistas desenvolveram uma nova técnica que mapeia a doença a nível molecular

É estranho pensar que, com todos os avanços científicos que tivemos em 2016, como foguetes reutilizáveis e a capacidade de clonar cães mortos, nós ainda não compreendemos como a maioria das principais doenças funcionam até chegar ao nível molecular.

Mas cientistas australianos desenvolveram uma nova técnica que pode realmente controlar a interação e o movimento de proteínas dentro de uma célula, pela primeira vez. Isto poderia ajudar os pesquisadores a desenvolver novos tratamentos para o câncer e outras doenças.

A técnica é chamada de BICAP (Bimolecular Complementation Affinity Purification) e usa nanopartículas para visualizar e isolar complexos de proteínas em células de câncer de mama.

Usando o BICAP, a equipe pode ver quando proteínas interagem com outras proteínas para formar um complexo e, em seguida, acompanhar o seu movimento.

Se pudermos compreender como as proteínas se encaixam e se movem em uma célula, isso poderia nos ajudar a entender melhor como eles estão envolvidos em doenças como o câncer.

“Essas redes de proteínas altamente coreografadas e complexas são frequentemente interrompidas no câncer e em outras doenças”, disse Darren Saunders, da Faculdade de Ciências da Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW), que conduziu o estudo.

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Células cancerígenas. Photo: Shutterstock.

“Ao mapeá-los – como a construção de um mapa de um metrô gigante – podemos entender melhor a biologia única do câncer. Por sua vez, isso nos ajuda a entender como as células cancerígenas respondem às drogas e podem eventualmente ajudar a encontrar novos alvos para a terapia.”.

Em um editorial na revista Science Signalling, que acompanha o trabalho de pesquisa, a editora da revista, chamada Nancy Gough, discute exatamente o quão importante essas proteínas de sinalização molecular podem ser.

“O lado molecular da sinalização ainda tem muitos segredos a revelar”, ela escreveu. “A importância das interações biomoleculares não podem ser exageradas. Embora muitas interações proteína-proteína sejam estudadas… se ainda há muito a explorar sobre interações entre proteínas binárias, imagine sobre complexos de multiproteinas.”

A técnica BICAP funciona usando uma engenharia de Anticorpos de Domínio Único (também chamados de sdAB e nano anticorpos) para reconhecer um conjunto específico de fragmentos de proteínas. Estes fragmentos somente são formados quando duas proteínas tem interação – o que mostra aos pesquisadores quando as proteínas se uniram em uma célula.

Embora a técnica só tenha sido utilizada em células de câncer de mama por enquanto, os pesquisadores pensam que poderiam, eventualmente, ser aplicada a todos os tipos de câncer, assim como a outras doenças.

A esperança é que ele acabará ajudando a descobrir novos alvos que poderiam ser usados para combater a doença – algo que esperamos levar a eventuais novos tratamentos.

Texto traduzido de Science Alert, por Vinicius de Oliveira Mussi.

Revisado por Igor Augusto G. Cunha

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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