Novo adesivo promove um “ataque triplo” contra tumores

Um novo hidrogel adesivo anti-câncer parece atacar tumores com alta especificidade por três frentes de drogas diferentes, descobriram os pesquisadores.

O adesivo até agora só foi testado em camundongos, mas os resultados são promissores e têm sido vistos antes e depois da remoção do tumor, e a equipe por trás dos minúsculos dispositivos diz que eles poderiam ter um grande impacto no tratamento de câncer colorretal.

Agora o passo mais importante no tratamento de pacientes com câncer colorretal é tentar remover cirurgicamente o máximo do tumor possível, porém limpar completamente as células cancerígenas pode ser muito difícil. É aí que este novo adesivo de hidrogel entra.

O adesivo foi projetado para atingir especificamente as partes do tumor deixadas para trás – algo que poderia substituir o jato de quimioterapia que é usado atualmente, que é debilitante e não muito eficaz.

“[Nós queríamos] pensar um pouco diferente, para vermos como podíamos alavancar os avanços na ciência de materiais e, particularmente, a nanotecnologia, para tratar o tumor primário de forma local e sustentável”, explicou a líder da equipe, Natalie Artz, do Instituto de Engenharia Médica e Ciência do MIT, nos EUA.

O adesivo funcionou tão bem durante os testes em animais que ele começou a limpar os tumores antes mesmo deles serem removidos cirurgicamente. Nos casos em que os tumores já haviam sido extraídos, nenhuma recidiva foi registrada – uma grande melhoria quando comparado com os 40% dos casos em que o adesivo não foi aplicado e a doença voltou.

Os adesivos trabalham num processo de três passos, que se inicia com a liberação de minúsculos nanobastões de ouro projetados para destruir termicamente o tumor. A segunda descarga do ataque é fornecida por drogas quimiocarregadas dentro dos nanobastões, que são liberadas à medida que mais calor é aplicado. Finalmente, nanoesferas (não afetadas pelo calor) são usadas para levar ao local do tumor uma terapia genética baseada em RNA, silenciando um gene em especial, conhecido por causar mutações em células saudáveis, transformando-as em células tumorais em pacientes com câncer colorretal.

O RNA, ou ácido ribonucleico, é um uma molécula semelhante ao DNA, que os cientistas descobriram recentemente formas de reprogramar para mudar a forma como as células evoluem dentro do corpo. Neste caso, essa mudança as impede de se tornarem cancerígenas.

Os pesquisadores afirmam que o adesivo pode ser aplicado antes do tumor ser removido, para reduzi-lo, ou depois de uma operação, para reduzir o risco dele voltar. O adesivo irá se degradar ao longo do tempo, à medida que for aquecido pelo calor do corpo do paciente.

O câncer colorretal, também conhecido como câncer de intestino, é a segunda principal causa de mortes relacionadas ao câncer nos EUA, e o terceiro câncer mais comum. Mais de 1 milhão de novos casos são diagnosticados a cada ano em todo o mundo.

O próximo passo para a equipe do MIT é testar o seu novo adesivo em animais maiores no laboratório e, se os resultados continuarem sendo positivos, iniciar os testes em humanos mais adiante.

A pesquisa foi publicada na revista Nature Materials.

Texto traduzido de Science Alert, por Vinicius de Oliveira Mussi.

Revisado por Igor Augusto G. Cunha.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF – Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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