Estudo mostra que células cancerígenas podem se esconder no tecido adiposo

As células-tronco cancerígenas podem se esconder e fugir da quimioterapia, escondendo-se no tecido adiposo, de acordo com uma nova pesquisa.

Uma equipe de cientistas nos EUA analisaram o comportamento de células-tronco leucêmicas em camundongos e descobriram que elas estavam construindo o seu próprio esconderijo no tecido adiposo, onde a gordura fica armazenada – um esconderijo que fez com que a sua resistência a tratamentos quimioterápicos aumentasse.

E não só isso, mas as células cancerígenas, aparentemente, usam os depósitos de gordura para gerar energia extra para si. Os pesquisadores dizem que essa atividade pode ajudar a explicar por que alguns cânceres demonstram ser mais difíceis de tratar e mais propensos a voltar.

“A biologia básica [envolvida] foi fascinante: o tumor adaptou-se ao ambiente local para atender a si mesmo”, disse o pesquisador Craig Jordan.

Ao analisar um camundongo modelo de leucemia, os pesquisadores notaram que o tecido adiposo teve uma maior concentração de células-tronco cancerígenas quando comparadas às células cancerígenas regulares.

Assim como as células-tronco saudáveis, as células-tronco cancerígenas são capazes de se diferenciar em vários tipos de células, e acredita-se que elas podem formar novos tumores e causar recaídas.

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Os fármacos quimioterápicos tem dificuldade em entrar no tecido adiposo, onde as células-tronco cancerígenas estão se escondendo. Créditos: University of Colorado Cancer Centre.

Estas células-tronco cancerígenas também foram encontradas provocando um processo chamado de lipólise, onde os ácidos graxos são liberados do tecido adiposo para produzir energia: em essência, essas células arrumaram uma nova fonte de energia para si.

Quando um tratamento de quimioterapia foi introduzido, as células-tronco do câncer que se escondiam no tecido gorduroso e que liberavam os ácidos graxos se mostraram mais resistente do que as outras células-tronco cancerígenas que estavam fora do tecido adiposo. Os mesmos efeitos foram encontrados em amostras de leucemia humana.

Três pistas motivaram os cientistas a realizar suas pesquisas: a obesidade já está vinculada a uma taxa menor de recuperação de pacientes com leucemia; as células-tronco cancerígenas impulsionam o crescimento e podem causar recaídas em casos de leucemia; e elas dependem muito do micro-ambiente tumoral onde estão.

Com esses fatores em mente, os pesquisadores se perguntaram: poderiam as células-tronco cancerígenas no tecido adiposo estarem causando um pior prognóstico em pacientes obesos? A partir das novas descobertas, parece que a resposta poderia ser sim, embora esta ainda seja apenas uma hipótese, por enquanto.

Os pesquisadores pretendem continuar seu estudo testando modelos de camundongos com diferentes níveis de obesidade, para ver se a gordura extra proporciona mais espaço para as células-tronco do câncer se esconderem (ou mais energia para elas).

A obesidade aumenta o risco de vários tipos de câncer, embora os cientistas ainda não tenham estabelecido o motivo.

Embora este novo estudo não resolva o problema, indica que estamos chegando mais perto, dando-nos uma nova compreensão do motivo da leucemia ser mais difícil de combater e mais propensa a voltar em pacientes com excesso de peso.

Esses resultados foram publicados na revista Cell Stem Cell.

Texto traduzido de Science Alert, por Vinicius de Oliveira Mussi.

Revisado por Igor Augusto G. Cunha

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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