Vesículas bacterianas se mostraram capazes de causar morte fetal

Em mulheres grávidas, uma bactéria normalmente benigna emite minúsculas vesículas tóxicas que podem causar parto prematuro e morte fetal, segundo um novo estudo.

Chamada Streptococcus do Grupo B, a bactéria vive nas vaginas de 20 a 30% das mulheres grávidas em todo o mundo. O Strep B não causa problemas no trato genital inferior. Mas, em ratas grávidas, o Streptococcus B secreta vesículas cheias de proteínas que podem viajar para dentro do útero. Essas vesículas causam inflamação e enfraquecem o saco amniótico, de acordo com pesquisadores da Índia, na revista PLoS Pathogens.

Os cientistas já sabiam que o Streptococcus B poderia ser um problema durante a gravidez. Mas não se sabia que eles produziam pequenas armas de longo alcance. De acordo com o microbiologista Lakshmi Rajagopal, do Instituto de Pesquisa Infantil de Seattle, o problema não seria simplesmente a bactéria, mas também algo que ela produz.

090116_AM_strep_rev_main_new
Vesículas tóxicas brotam de Streptococcus B. Um novo estudo em camundongos grávidas mostra que esses balões cheios de líquido podem causar inflamação, parto prematuro e natimorto. Fonte: M.V. SURVE ET AL/PLOS PATHOGENS 2016.

Usando um microscópio eletrônico de varredura, os pesquisadores do Indian Institute of Technology-Bombay detectaram pequenas esferas circulares brotando para fora das bactérias Streptococcus B. Dentro desses pequenos balões cheios de líquido, os pesquisadores descobriram proteínas corrosivas. Os cientistas também descobriram que, em camundongos, essas vesículas podem migrar da vagina para o útero. Lá, as esferas desencadeiam a morte celular e degradam o colágeno do saco amniótico (aumentando a probabilidade dele romper), causando inflamação, parto prematuro e natimorto. Quase todos os filhotes de camundongos grávidas que tiveram vesículas bacterianas injetadas em suas bolsas amnióticas morreram no útero ou nasceram prematuramente. Os pesquisadores também descobriram que, quando as proteínas tóxicas eram desativadas pelos inibidores, as vesículas não degradavam o colágeno.

Os trabalhos anteriores haviam associado um pigmento bacteriano aos efeitos nocivos do Streptococcus B, mas as vesículas são um potencial segundo mecanismo, diz o co-autor do estudo Anirban Banerjee, um microbiologista do Indian Institute of Technology.

Ainda não está claro por que o Streptococcus B, que normalmente causa poucos problemas, faz essas toxinas. Elas podem ser utilizadas em “guerras de sobrevivência”, sugere Banerjee, para ajudar o Streptococcus B a competir com outras espécies bacterianas. O Streptococcus B não é a única bactéria que cria vesículas tóxicas, e muitos microbiologistas estão trabalhando para entender exatamente como elas são secretadas.

Entretanto, essas novas descobertas “enfatizam a necessidade de desenvolver uma vacina aprovada” contra Streptococcus B, diz Rajagopal. Hoje os médicos testam as mulheres grávidas para a bactéria entre 35 e 37 semanas. As mulheres com Streptococcus positivo tomam antibióticos durante o parto para evitar que os recém-nascidos se infectem. Mas as bactérias podem retornar rapidamente, pois os antibióticos não são uma solução permanente. Compreender como e por que microrganismos criam essas minúsculas armas poderia ajudar os médicos a descobrirem como bloquear  infecções por Streptococcus.

Texto traduzido de Science News, por Vinicius de Oliveira Mussi.

Revisado por Igor Augusto G. Cunha.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF – Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

%d blogueiros gostam disto: