Droga experimental combate câncer grave “acordando” o sistema imunológico

Cientistas estão comemorando a descoberta de um novo tipo de droga que demonstrou ser eficaz contra uma das formas mais mortais de câncer – o câncer pancreático metastático – e sem efeitos colaterais conhecidos.

O IMM-101 funciona ‘acordando’ o sistema imunológico para atacar tumores, o que poderia fazer uma grande diferença no tratamento da doença, uma vez que o câncer de pâncreas deste tipo é geralmente capaz de se esconder e se proteger contra as defesas naturais do corpo.

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Imagem de células de câncer de pâncreas obtida por um microscópio eletrônico de varredura. Fotografia: Steve Gschmeissner/Getty Images/Brand X.

Ao adicionar o IMM-101 à droga gemcitabina, já utilizada na quimioterapia, pesquisadores do St George’s Hospital Medical School, da Universidade de Londres, foram capazes de romper a blindagem protetora das células de tumores pancreáticos, e estender o tempo de vida de pacientes cujo câncer havia se espalhado para outros locais.

“Para mim é muito emocionante”, disse o pesquisador-chefe, Angus Dalgleish, para o jornal The Guardian. “Esta é a primeira vez que temos uma imunoterapia que é realmente uma boa candidata para ajudar a controlar o câncer de pâncreas, que é uma das maiores doenças que matam. Sua incidência quase coincide com a sua mortalidade. É absolutamente impressionante.”

Pacientes que receberam a nova droga imunoterápica sentiram-se melhor do que aqueles que tomaram o tratamento quimioterápico padrão, relatou Dalgleish, e nenhum efeito colateral tóxico foi observado.

Os primeiros testes são promissores, mas ainda não é bem uma cura milagrosa. Apenas um número relativamente pequeno de pessoas (110) foram incluídas no estudo, e ao longo de toda a amostra não houve benefício significativo de sobrevivência.

Isto aconteceu porque a droga foi mais eficaz no tratamento do câncer que já tinha começado a se espalhar para outras regiões do corpo (câncer metastático), quando comparado com o câncer que tinha permanecido localizado no local do tumor primário.

No estudo, a taxa de sobrevivência média aumentou de 4,4 para 8 meses em pacientes com câncer pancreático metastático – alguns pacientes que estavam usando o novo tratamento viveram por mais de um ano, e um sobreviveu por quase três anos. Mas a droga não parece ajudar aqueles cujo câncer tenha ficado no local, ao invés de se espalhar para lugares secundários.

Dalgleish vem testando os efeitos do IMM-101 há alguns anos, e tem visto a sua eficácia no combate ao câncer de pele e de pulmão. Mas os novos resultados são ainda mais promissores, já que o câncer de pâncreas é muito bem protegido e apresenta-se tão profundamente no corpo.

A ajuda que este medicamento proporciona é extremamente necessária. Apenas 18% dos pacientes com câncer de pâncreas avançado sobrevivem um ano, e se os tumores se tornam metastáticos, as taxas de sobrevivência são ainda mais baixas – em todo o mundo, a média é entre 2,8 e 5,7 meses.

Esperemos que, com o avanço nos testes, o IMM-101 possa ser capaz de melhorar algumas dessas estatísticas.

“Eu tenho visto em primeira mão que este é um tratamento altamente benéfico para os pacientes e eu gostaria de vê-lo utilizado em todos os hospitais do país”, disse Dalgliesh em um comunicado. “Eu acredito que o IMM-101 poderia revolucionar a forma como esse tipo de câncer é tratado ao redor do mundo.” Os resultados foram publicados no British Journal of Cancer.

Texto traduzido de Science Alert, por Vinicius de Oliveira Mussi.

Revisado por Igor Augusto G. Cunha.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e atualmente mestrando em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e atualmente mestrando em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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