Terapia à base de células-tronco regenera corações de macacos

Cientistas Japoneses usaram células do miocárdio – o músculo cardíaco (cardiomiócitos) –  derivadas das células-tronco de um macaco para regenerar corações defeituosos de outros cinco macacos.

A técnica mostra que o uso de células-tronco de outro doador pode, um dia, ser um caminho viável para regenerar os órgãos de pacientes que sofreram ataque cardíaco – uma abordagem que poderia reduzir drasticamente o tempo e o custo do desenvolvimento de tratamentos com células-tronco individualizadas.

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Cultivo de células-tronco do coração em laboratório. Foto: Spencer Platt / Getty Images.

A terapia a base de células-tronco é uma técnica que vem sendo estudada há tempo, porém a técnica é baseada em tratar os pacientes com suas próprias células, o que pode ser muito caro e demorado.

Um alternativa,  é usar células-tronco isoladas a partir de embriões humanos, mas este procedimento ainda é controverso, visto que o embrião é destruído no processo.

Se a nova técnica demonstrada por pesquisadores da Universidade Shinshu puder ser utilizada em humanos, poderíamos evitar essas dificuldades em terapias com células-tronco, permitindo que os cientistas consigam desenvolver um “banco de células” prontas para serem usadas em tratamentos.

No estudo, os pesquisadores geraram células-tronco pluripotentes induzidas (células reprogramadas), também chamadas de iPSCs, recolhidas a partir das células da pele de um macaco doador, que posteriormente foram transplantadas nos corações de cinco animais receptores que tinham sofrido um infarto induzido.

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Coração. Créditos: Bernhard Jank, MD, Ott Lab, Centre for Regenerative Medicine, Massachusetts General Hospital.

Um dos principais riscos do uso de células de outro doador é a possibilidade de rejeição por parte do beneficiário – se você estiver usando células-tronco individualizadas (células retiradas dos próprios pacientes) não há nenhuma chance de rejeição de células estranhas através de uma resposta imune.

Para minimizar o risco de rejeição, os pesquisadores utilizaram animais geneticamente semelhantes e a imunossupressão foi feita de maneira moderada, levando à inibição de um ou mais componentes do sistema imunológico, mediante o qual as células-tronco podem ser enxertadas e sobreviver durante 12 semanas.

Após monitorar os macacos beneficiários durante 12 semanas, não havia nenhum sinal de rejeição, e a equipe observou que as células transplantadas melhoraram a capacidade de contração dos corações danificados.

Dito isto, houve um efeito colateral notável. Os macacos beneficiários mostraram um aumento na incidência de batimentos cardíacos irregulares (arritmia) mas a equipe diz que eles estão confiantes de que a condição não colocava sérios riscos de saúde para os animais.

Embora seja um resultado emocionante que demonstra o potencial para transplantes de células-tronco baseada em doadores no tratamento de lesões cardíacas no futuro, não podemos ficar muito animados ainda.

Os pesquisadores reconhecem que seu pequeno estudo envolveu apenas cinco animais receptores, de modo que ensaios maiores, com mais animais, são necessários para reproduzir os resultados.

Mas, apesar das limitações, os resultados são promissores quanto a utilização de células-tronco no tratamento de pacientes que sofreram ataque cardíaco.

As descobertas foram publicadas na Nature.

Texto adaptado de Science Alert.

Sanderson Calixto

Sanderson Calixto

Biólogo com ênfase em Biologia Celular e Saúde e mestrando em Biociências e Biotecnologia pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro - UENF. Possui experiência na área de Imunofarmacologia de Produtos Naturais com ênfase na avaliação da atividade anti-inflamatória e antimicobacteriana.
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Biólogo com ênfase em Biologia Celular e Saúde e mestrando em Biociências e Biotecnologia pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro - UENF. Possui experiência na área de Imunofarmacologia de Produtos Naturais com ênfase na avaliação da atividade anti-inflamatória e antimicobacteriana.

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