O ciclo celular e a carcinogênese

O ciclo celular compreende a sequência de acontecimentos que levam ao crescimento e a divisão da célula, de forma contínua e repetitiva, cujo, principal objetivo é duplicar, de forma exata, a imensa quantidade de DNA nos cromossomos, e então segregar com precisão as cópias em duas células-filhas geneticamente idênticas.

O período entre o final de uma divisão celular e o início da outra é chamado de interfase. Durante a divisão celular, fases de sínteses de DNA são separadas por fases (ou gaps), nas quais, acontece a síntese de RNA e proteínas. A fase G1 é seguida pela fase S, durante a qual ocorre a duplicação do DNA, e pela fase G2, quando a célula sintetiza proteínas importantes para reorganização de sua cromatina e para a mitose (M). Algumas células, como neurônios e hemácias, não se dividem, pois são totalmente diferenciados, ficando permanentemente em uma etapa do ciclo conhecida como G0, um estado quiescente no qual as células adultas maduras podem ficar por tempo indeterminado.

31ara asseguram a correta execução dos eventos do ciclo celular e garantir a estabilidade genética, existem diversos pontos de checagem, que são estágios específicos nos quais a célula examina os sinais internos e externos, e decide se deve ou não continuar a divisão.  Esta regulação é ocasionada por fatores de crescimento que transmitem sinais de uma célula para outra, receptores específicos para fatores de crescimento, moléculas de transdução de sinal que ativam uma cascata de reações de fosforilação dentro da célula e fatores de transcrição nuclear.

Os fatores de crescimento, como os produtos de oncogenes, ativam a multiplicação celular, enquanto que os controles de retroalimentação são inibidores da multiplicação celular. Estes controles são, por exemplo, genes supressores tumorais, que detém a replicação celular quando há dano no DNA, para que ele seja reparado.

Alterações do funcionamento de genes controladores do ciclo celular, em decorrência de mutações, são relacionados ao surgimento de um câncer. As mutações podem ocorrer em qualquer uma das etapas de crescimento e diferenciação celular.

Os principais genes relacionados ao desenvolvimento de câncer são os oncogenes e os genes supressores tumorais. Os oncogenes, conhecidos também como proto-oncogenes, são genes normais no organismo, indutores do crescimento e diferenciação celular, que podem sofrer mutações que resultam na ativação constitutiva do gene. Nessas situações, o gene está sempre “ligado”, passando a ser não-responsivo aos sinais inibitórios.

Já os genes supressores de tumor codificam proteínas que inibem a divisão celular, são genes normais que retardam a divisão celular, reparam erros do DNA ou levam a célula à apoptose. Quando estes genes não funcionam corretamente, as células podem se desenvolver fora de controle, levando ao desenvolvimento do câncer. Como exemplo temos o gene p53 localizado no cromossomo 17, que é o gene supressor de tumor mais comumente relacionado aos cânceres humanos. Uma diferença importante entre oncogenes e genes supressores do tumor é que os oncogenes resultam da ativação de proto-oncogenes, enquanto que os genes supressores do tumor provocam câncer quando são inativados.


Referências:

Bases da Patologia em Veterinária – M. Donald McGavin e James F. Zachary. Editora Elsevier, ed. 4°, 2009.

COSTA, M.J. et al. C-erb-B-2 oncoprotein overexpression in uterine cervix carcinoma with glandular differentiation. Am J Clin Pathol 104 (6): p. 634—641.1995.

JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Biologia celular e molecular. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 7ª ed. 2000. 339p.

Juliana Dalbó

Juliana Dalbó

Biomédica, formada pela UNES - Faculdade do Espírito Santo, com especialização em Gestão em Saúde Pública e Meio Ambiente pela Universidade Cândido Mendes - UCAM. Atualmente cursa doutorado em Biotecnologia na Universidade do Espírito Santo pela RENORBIO - Rede Nordeste de Biotecnologia.
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Biomédica, formada pela UNES – Faculdade do Espírito Santo, com especialização em Gestão em Saúde Pública e Meio Ambiente pela Universidade Cândido Mendes – UCAM. Atualmente cursa doutorado em Biotecnologia na Universidade do Espírito Santo pela RENORBIO – Rede Nordeste de Biotecnologia.

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