Nanopartículas de ferro podem estimular o sistema imune a destruir tumores

Cientistas desenvolveram uma nova forma de tratamento do câncer com nanopartículas de ferro, que foram capazes de estimular o sistema imunológico a atacar tumores em grupos de camundongos.

No estudo, os macrófagos (um tipo de glóbulo branco do sangue) lutaram contra a propagação de tumores após receber uma dosagem de nanopartículas de ferro, impedindo que o câncer se instalasse.

Além de diminuir os tumores existentes em camundongos, o tratamento impediu que os tumores se espalhassem através do corpo, de acordo com pesquisadores da Universidade de Stanford e da Oregon Health & Science University.

“Foi muito surpreendente para nós o fato das nanopartículas ativarem os macrófagos para que eles começassem a atacar as células cancerígenas em camundongos”, disse o pesquisador Heike Daldrup-Link, de Stanford. “Nós achamos que isto também deva acontecer em pacientes humanos.”

Os pesquisadores usaram ferumoxytol em seus testes, um suplemento de ferro já disponível comercialmente para o tratamento da anemia, onde o corpo não tem ferro suficiente naturalmente.

Originalmente, a ideia era usar as nanopartículas de ferro como uma espécie de cavalo de Tróia, simulando a quimioterapia em tumores. Como se viu, no entanto, o grupo controle de camundongos – que receberam o ferro sem drogas quimioterápicas – apresentaram os melhores resultados em termos de supressão do tumor.

Os exames para acompanhamento, realizados nas células em uma placa de cultivo, determinaram que eram os macrófagos quem lutavam contra o câncer depois de receber o ferro – comumente, estes macrófagos param de atacar tumores e começam a ajudar em seu crescimento, quando os tumores atingem um determinado tamanho.

Créditos: Amy Thomas/Stanford University School of Medicine.
Créditos: Amy Thomas/Stanford University School of Medicine.

Os pesquisadores acreditam que o ferro e os macrófagos foram capazes de reiniciar alguma forma de apoptose celular (morte celular programada natural) dentro dos tumores. Enquanto o tratamento não é suficientemente forte para remover o câncer por si só, ele pode ser, se utilizado em combinação com fármacos existentes.

A dose de ferumoxytol utilizada nos testes era similar a uma dose segura dada no tratamento de anemia, com o efeito anti-câncer de cada dose durando cerca de três semanas, aparentemente. Em testes posteriores, a equipe notou que as nanopartículas de ferro têm um efeito supressor sobre o câncer metastático – onde tumores espalham-se para tecidos e órgãos vizinhos – e notaram redução do tamanho do tumor quando administrado antes que o câncer fosse introduzido.

Agora os pesquisadores querem trabalhar maneiras em que isso possa beneficiar os seres humanos como complemento à quimioterapia existente. Embora os resultados só tenham sido vistos até agora em camundongos, a equipe espera que as nanopartículas de ferro possam ser capazes de ajudar enquanto os pacientes se recuperam entre as doses de quimioterapia – ou talvez limpem as células tumorais restantes após a cirurgia.

“Em muitos estudos, os pesquisadores consideram apenas as nanopartículas como veículos de drogas”, acrescentou Daldrup-Link . “Mas elas podem ter escondido efeitos intrínsecos que não irão ser apreciados a menos que olhemos para as próprias nanopartículas.” Os resultados foram publicados na revista Nature Nanotechnology.

Texto traduzido de Science Alert, por Vinicius de Oliveira Mussi.

Revisado por Igor Augusto G. Cunha

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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