Câncer colorretal

O câncer colorretal (CCR) é um problema de saúde mundial, considerado a terceira causa mais comum de câncer e a quarta maior causa de mortalidade no mundo. Estima-se para o ano de 2016 a ocorrência de 34.280 novos casos, 16.660 em homens e 17.620 em mulheres.

O câncer colorretal abrange tumores que acometem um segmento do intestino grosso (o cólon) e o reto. Cerca de 75% dos casos são de origem esporádica, causadas por fatores ambientais (dieta, depressão, uso de álcool, tabaco e microrganismos) ou pelos efeitos do envelhecimento, 20% são de origem familiar e 5% são secundários à doença inflamatória intestinal e síndromes de CCR hereditárias, como a síndrome de Lynch (HNPCC), a polipose adenomatosa familiar (PAF) e síndrome de Peutz-Jeghers.

Os tumores surgem através de alterações genéticas durante o crescimento ou desenvolvimento celular, causando proliferação de células anormais, resultando em alteração da mucosa colônica normal para adenomas ou pólipos adenomatosos e adenocarcinomas, que podem ser induzidos por fatores da oncogênese, mutações dos genes supressores tumorais e genes de reparo de DNA (MMR-DNA Mismatch Repair genes).

A sequência adenoma-carcinoma é ativada por mutações do gene Adenomatous polyposis coli (APC), e promovida pela ativação de mutações do oncogene KRAS e mutações que inativam o gene supressor do tumor, o TP53. Estas mutações inativam os genes que mantêm a estabilidade cromossomal, durante a replicação.

A APC é um gene supressor de tumor, age como uma barreira na sequência adenoma-carcinoma, tendo como uma de suas funções a regulação intracelular de β-catenina, uma proteína associada ao fator de transcrição de células T, relacionada à transcrição de DNA e envolvida em processos de sinalização celular, que afetam a apoptose e o crescimento das células. Assim, quando o gene sofre uma mutação, esta causa interferência: na proliferação, na apoptose e no controle das mudanças de fase do ciclo celular. Estas mutações da APC dão origem à polipose adenomatosa familiar.

Além dos fatores genéticos, o estilo de vida e fatores ambientais (como consumo reduzido de fibras, consumo excessivo de carne vermelha e carnes processadas, uso excessivo de álcool, tabagismo, obesidade e sedentarismo) também estão envolvidos na etiopatogenia do câncer colorretal.

A alimentação influencia diretamente nos estágios de iniciação, promoção e propagação do CCR. As gorduras, quando presentes em excesso no duodeno, estimulam maior secreção de sais biliares pela bile. Esses por sua vez, exercem função detergente bem caracterizada, podendo gerar danos ao tecido e aumentar a proliferação celular.

Um estudo realizado em países da Europa mostrou que a obesidade e o sedentarismo estão associados a um risco de 60% de desenvolver câncer de cólon, pois o consumo de carboidratos resulta no aumento de peso, obesidade, resistência à insulina e circulação de estrógenos, fatores esses que aumentam o risco do câncer pelo estímulo da carcinogênse, devido a síntese do fator de crescimento semelhante à insulina-I (IGF-I).

O consumo de carnes processadas diariamente eleva a 25% o risco para o câncer de cólon e a 31% para o do reto, pois o nitrato e o nitrito usados no processamento danificam a mucosa intestinal, aumentando a vulnerabilidade ao carcinógeno. Além disso, os métodos de cozimento da carne em altas temperaturas podem causar contaminação por hidrocarbonos aromáticos policíclicos e aminas aromáticas heterocíclicas, substâncias estas carcinogênicas.

Ainda, o ferro, quando em excesso nas carnes, apresenta efeitos mutagênicos, gerando radicais livres que atingem o DNA e induzem à expressão de várias citocinas, aumentando assim, a citotoxidade e estímulo a resposta inflamatória. Assim, pessoas geneticamente predispostas que ingerem carne vermelha/carne bem passada, e fumantes podem ter um risco relativo de 8,8 vezes para a promoção do câncer.


Referências

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Assis RVBF. Rastreamento e vigilância do câncer colorretal: guidelines mundiais. GED gastroenterol endosc dig. 2011; 30(2):62-74. 

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Ferlay J, Soerjomataram I, Ervik M, Dikshit R, Eser S, Mathers C, Rebelo M, Parkin DM, Forman D, Bray, F. GLOBOCAN 2012 v1.0. Cancer Incidence and Mortality Worldwide. IARC CancerBase No. 11 [Internet]. Lyon, France: International Agency for Research on Cancer; 2013. [cited 2013 Dez 13] Available from: http://globocan.iarc.fr.

Hou R, Liu Y, Feng Y, Sun L, Shu Z, Zhao J, et al. Association of single nucleotide polymorphisms of ERCC1 and XPF with colorectal cancer risk and interaction with tobacco use. Gene 2014 Sep 10;548(1):1–5.

Mattar MC, Lough D, Pishvaian MJ, Charabaty A. Current Management of Inflammatory Bowel Disease and Colorectal Cancer. Gastrointest Cancer Res 2011 Mar;4(2):53–61.

 

 

Juliana Dalbó

Juliana Dalbó

Biomédica, formada pela UNES - Faculdade do Espírito Santo, com especialização em Gestão em Saúde Pública e Meio Ambiente pela Universidade Cândido Mendes - UCAM. Atualmente cursa doutorado em Biotecnologia na Universidade do Espírito Santo pela RENORBIO - Rede Nordeste de Biotecnologia.
Juliana Dalbó

Juliana Dalbó

Biomédica, formada pela UNES - Faculdade do Espírito Santo, com especialização em Gestão em Saúde Pública e Meio Ambiente pela Universidade Cândido Mendes - UCAM. Atualmente cursa doutorado em Biotecnologia na Universidade do Espírito Santo pela RENORBIO - Rede Nordeste de Biotecnologia.

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