Cientistas descobriram um novo tipo de fotorreceptor que detecta a luz de uma maneira totalmente nova

Pesquisadores descobriram um novo tipo de fotorreceptor – um tipo de molécula que permite que nossos olhos recebam luz – e é diferente de qualquer coisa que já vimos antes.

O novo fotorreceptor é apenas o terceiro a ser encontrado em animais, e é cerca de 50 vezes mais eficiente na captura de luz do que os fotorreceptores em nossos olhos humanos. Curiosamente, é na verdade um receptor de gosto – sugerindo que as moléculas são capazes de detectar a luz de maneiras que nunca pensamos ser possíveis.

Conhecido como LITE-1, o novo fotorreceptor foi descoberto em um grupo de animais sem olhos, conhecidos como nematoides.

“O LITE-1 na verdade vem de uma família de proteínas receptoras gustativas descoberta pela primeira vez em insetos”, disse o pesquisador Shawn Xu , da Universidade de Michigan. “Estes, entretanto, não são os mesmos receptores de gosto que os dos mamíferos.”

Em 2008, o laboratório de Xu mostrou que os nematoides são capazes de se afastar de flashes de luz, mesmo que eles não possuam olhos, assim eles descobriram que o LITE-1 parecia estar por trás dessa capacidade.

Mas ninguém realmente sabia como isso era possível. Agora a equipe de Xu tem estudado o LITE-1 em detalhes para testar como ele detecta a luz, e já mostrou que a proteína é incrivelmente eficiente absorvendo a luz – e faz isso de uma maneira totalmente nova.

Até agora, os pesquisadores só sabiam de dois tipos de fotorreceptores no mundo animal: o criptocromo e a opsina. Os tipo de fotorreceptores encontrados no olho humano são uma opsina conhecida como rodopsina .

Estes tipicamente têm dois componentes: a proteína de base, que para nós é a rodopsina, e um cromóforo de absorção de luz. Nos seres humanos, a vitamina A desempenha esse papel.

 Nos humanos, a vitamina A absorve a luz e libera uma gama de produtos químicos como resultado. Estes produtos químicos são então sentidos pela rodopsina, que é como ela “recebe” a luz.

Mas o LITE-1 é totalmente diferente. Ele desempenha ambos os papéis em si, e absorve a luz diretamente. “O LITE-1 é incomum, pois é extremamente eficiente na absorção tanto de UV-A quanto de UV-B (10 a 100 vezes mais do que os outros dois tipos encontrados no reino animal: opsina e criptocromo)”, disse Xu.

“O próximo passo é entender melhor porque ele tem essas propriedades surpreendentes.”

Embora descobrir este novo método de absorção de luz seja fascinante em si, os pesquisadores também pensam que o LITE-1 pode ser extremamente útil. Por exemplo, poderia ser transformado em um protetor solar que absorve diretamente os raios nocivos mais eficientemente do que nossos protetores atuais.

O LITE-1 também pode levar pesquisadores a ativar a sensibilidade à luz em novos tipos de células – a equipe já modificou uma proteína não-sensível da mesma família, conhecida como GUR-3, e mostrou que podem fazê-las reagir à luz ultravioleta.

“Nossos experimentos também levantam a possibilidade intrigante de que poderia ser possível manipular geneticamente outros novos tipos de fotorreceptores”, disse Xu. A pesquisa foi publicada na revista Cell.

Matéria originalmente traduzida de Science Alert, por Vinicius de Oliveira Mussi.

Revisado por Igor Augusto G. Cunha.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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