Nova estratégia poderia ser a chave para superar a resistência aos antibióticos

A resistência aos antibióticos é uma das questões mais urgentes e subestimadas do século 21 – alguns cientistas colocam-na a par com as mudanças climáticas e um relatório de 2014 sugere que a falha dos antibióticos irá matar 300 milhões de pessoas até 2050 .

Agora pesquisadores australianos estão tentando mudar a maneira como seguimos e respondemos à resistência aos antibióticos, para que os cientistas possam responder mais rapidamente e com mais eficiência quando nossos medicamentos existentes não funcionarem mais.

“O que estamos propondo é um método que mede o problema subjacente e dá uma solução quantificável que pode ser usada para ver se as medidas para controlar a resistência antimicrobiana estão funcionando”, disse Carolyn Michael, da University of Technology Sydney Faculty of Science (UTS Science).

As bactérias e outros microrganismos têm muitos ciclos de vida rápida, assim como formas de transferir genes entre si.

Isto significa que sempre que encontramos um novo antibiótico para matar as bactérias, elas evoluem rapidamente e encontram uma maneira de contornar isso. Se isto não bastasse, elas passam estes novos genes rapidamente para outras bactérias, espalhando ainda mais a resistência.

Agora, a maneira que nós investigamos a resistência antibiótica é observar o número de infecções microbianas em qualquer momento em que não estejam respondendo a antibióticos.

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A resistência antimicrobiana é uma crise global. Por isso uma nova abordagem está sendo proposta por cientistas australianos. Imagem: S. Michael.

Mas Michael e sua equipe suspeitam que esta não é a maneira mais eficiente de abordar o problema.

“O monitoramento da crise é em grande parte limitada à contagem do número crescente de patógenos resistentes, mas ao invés de monitorar patógenos, estamos propondo monitorar genes de resistência que existem em todo o mundo microbiano e não apenas em patógenos”, diz ela.

“Fazer isso nos permitirá ver um número crescente de genes de resistência antes de chegar a um patógeno e também manter um olho sobre os diferentes tipos de genes de resistência já presentes em patógenos”.

Em vez disso, a equipe quer investigar todos os tipos de bactérias – até mesmo aquelas que não nos afetam – porque os genes de resistência em qualquer tipo de bactéria podem ser transferidos para um microrganismo através de um processo chamado transferência horizontal de genes.

Isso significaria monitorar os genes de resistência presentes nas bactérias dos nossos esgotos, hospitais e dos ambientes que nos cercam, para entender quais genes de resistência na área estão evoluindo atualmente, e quais poderiam potencialmente se tornar um problema.

“A Organização Mundial de Saúde reconhece que esta é uma crise em ascensão. O que estamos oferecendo é uma forma de prever a resistência antimicrobiana antes que ela passe dos limites em determinadas áreas”, diz o membro da equipe, Ashley Franks, da La Trobe University.

Os pesquisadores acreditam que essa abordagem permitiria aos clínicos e autoridades de saúde saber quais compostos antibacterianos seriam mais eficazes e quando outros compostos deveriam ter seu uso suspenso temporariamente, para que possam ser usados novamente no futuro. A pesquisa foi publicada na revista Open Biology.

Matéria originalmente traduzida de Science Alert, por Vinicius de Oliveira Mussi.

Revisado por Igor Augusto G. Cunha.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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